1945 – Massacres na Argélia
8 de Maio é dia de luto na Argélia. Em 1945, enquanto na Europa e um pouco por todo o mundo se celebrava a vitória sobre o nazi-fascismo, no país norte-africano iniciou-se um dos mais brutais massacres do colonialismo francês: durante cerca de um mês, militares e colonos franceses assassinaram nas localidades de Sétif, Guelma e Kherrata, 45 mil argelinos – homens, mulheres e crianças.
Para as comemorações da vitória na Segunda Guerra Mundial, os franceses mobilizaram milhares de argelinos. Em Sétif, 4000 manifestantes aproveitaram a oportunidade para reivindicar maiores direitos do governo colonial: “fim da ocupação!” e “Queremos igualdade!” foram algumas das exigências expressas, a par do pedido de libertação do líder do Partido Popular da Argélia, Messali Hadi, então preso em Brazzaville. Um jovem escoteiro 14 anos, Saal Bouzid, que empunhou uma bandeira verde e branca da Argélia, foi morto pelos militares franceses, o que desembocou em violentos confrontos: até Junho, 45 mil argelinos foram assassinados e muitos corpos foram simplesmente despejados em poços ou lançados de ravinas.
8 de Maio de 1945 é, a par de 1 de Novembro de 1954 (quando foi iniciada a guerra de libertação), um momento chave da luta pela independência da Argélia, proclamada em 1962 e que custou a vida a mais de um milhão e meio de argelinos. O massacre de 1945, assim como outros momentos da luta de libertação, estão registados no magnífico Museu dos Mártires, em Argel.




