Dia cheio em Portalegre a lutar pela valorização do Interior
No dia 25 de Novembro, a candidatura de António Filipe esteve no Alto Alentejo, região cada vez mais isolada em virtude das políticas que provocam o abandono do Interior. Entre Portalegre e Avis, afirmou-se um caminho de soberania e defesa da plenitude do território.
Uma candidatura vale pela natureza do seu projecto
Como se mede a importância de uma candidatura? Pode-se dizer que uma candidatura vale pela natureza do seu projecto. Quão mais ligada às aspirações do povo, mais valerá. Em Portalegre, na passada terça-feira, foram as palavras dos populares e comerciantes com quem se contactou, os pequenos gestos e as manifestações de apoio que ajudaram a medir a importância desta candidatura.
É da vida das pessoas que se fala quando se anuncia o aumento da idade de reforma para 2027, quando se facilita despedimentos e quando a política praticada, não só é alheia aos interesses da maioria, como se posiciona em confronto com estes. As pessoas merecem um Presidente que esteja do seu lado, que dê expressão ao combate que travam contra esta política, pois é o povo que tem a força para transformar o mundo. É o taxista que desabafou com António Filipe sobre as dificuldades do seu negócio, a senhora que se apressou para pedir um cravo ao candidato assim que se apercebeu da sua presença e as muitas pessoas que, conhecendo-o da televisão, aproveitaram o momento para demonstrar o seu apoio e valorizar a sua presença. Este foi o cenário vivido nas ruas de Portalegre.
Abrir caminhos
Mais tarde, no salão da Junta de Freguesia de Avis, cerca de 70 apoiantes juntaram-se para a primeira sessão pública de apoio a esta candidatura, no distrito.
Na sua intervenção, António Filipe disse acreditar que «o País está muito menos desenvolvido do que estaria se a Constituição tivesse sido cumprida ao longo destas décadas». A ausência de políticas coincidentes com os desígnios de Abril deixaram marcas. Ali, no distrito de Portalegre, vive-se a «desertificação do Interior», a «perda de população» e a «ausência de condições» para constituir vida. Há culpados e momentos que marcam este caminho, por exemplo, quando «PS, PSD e CDS, na revisão constitucional de 1997, inviabilizaram a criação das regiões administrativas», o poder local que falta cumprir.
Antes do candidato, falou Fátima Dias, mandatária distrital. «É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.» Citando Eugénio de Andrade, a mandatária descreveu um quadro exigente, com um «Orçamento do Estado que continua a esquecer o Interior, negando investimentos estruturais». É preciso «combater o isolamento da região do Alto Alentejo» com «políticas que valorizem os nossos recursos», exclamou.
Poder-se-iam lembrar ainda outras palavras do poema “Urgentemente”, citado por Fátima Dias, para descrever a exigente tarefa de, para além de destruir aquilo que está mal, construir o Portugal de Abril. Isto, pois também é «urgente inventar a alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras (…) É urgente o amor, é urgente permanecer».




