- Nº 2713 (2025/11/27)

Luta firme exige valorização nos portos, na Linde e no Accor

Trabalhadores

Os trabalhadores das administrações portuárias entraram num novo período de greves. Houve plenário e concentração em mais um hotel do Grupo Accor. Na Linde, o protesto ganhou corpo na greve de dia 24.

A firmeza dos sindicatos e a determinação dos trabalhadores mostraram, nestes três casos, que a luta vai prosseguir, até serem concretizadas as reivindicações de valorização dos salários e das profissões.

Nas administrações portuárias do Continente (Douro, Leixões e Viana do Castelo, Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal, Sines e Algarve) e na Companhia Logística de Terminais Marítimos (terminal de Sines), estão convocadas greves para os dias 21, 22, 25, 26, 28 e 29 de Novembro e 2, 3, 4, 9, 12 e 13 de Dezembro.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias (SNTAP), que já tinha promovido períodos de greve de 48 horas, de 23 de Outubro a 8 de Novembro, criticou a «reiterada e incompreensível posição do Ministério das Finanças, que há já muitos meses, impede que seja cumprido o acordo celebrado em 18 de Dezembro de 2024, entre este sindicato e todas as administrações portuárias (por proposta das mesmas)». Em causa está a atribuição de mais uma base remuneratória, a todos os trabalhadores, e a adequação do cálculo da remuneração horária ao estabelecido no Código do Trabalho.

A célula do PCP na Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), numa nota que emitiu dia 21, saudou os trabalhadores que fizeram greve no primeiro período e apelou à adesão às greves anunciadas. Fez também um apelo a que os trabalhadores adiram à greve geral, a 11 de Dezembro, contra o pacote laboral.

A greve de 24 horas na Linde Portugal, esta segunda-feira, atingiu níveis de adesão de 90 por cento, em Alenquer, 50 por cento, em Cabo Ruivo, e 70 por cento, na Maia, como adiantou a União dos Sindicatos de Lisboa, considerando que «estes números reflectem bem a unidade e a consciência de que é fundamental os trabalhadores lutarem, se quiserem ver as suas reivindicações efectivadas».

Convocada pelo SITE CSRA e o SITE Norte, a greve na empresa de fornecimento de gás industrial deu voz ao «descontentamento generalizado» e reafirmou «a necessidade de que a empresa reconheça, com medidas concretas, os direitos e expectativas» de quem sustenta o seu funcionamento e sucesso – como afirmaram, em nota de imprensa, os dois sindicatos da FIEQUIMETAL/CGTP-IN.

O Sindicato da Hotelaria do Sul organizou, no dia 18, um plenário de trabalhadores do Hotel Ibis, em Alfragide, e uma concentração no exterior desta unidade hoteleira do Grupo Accor, para exigir o cumprimento do Contrato Colectivo de Trabalho (CCT) dos Hotéis Centro-Sul, assinado entre a Associação dos Hotéis de Portugal e a FESAHT/CGTP-IN.

Ali, tal como noutras unidades da multinacional francesa, «não estão a ser respeitadas as categorias profissionais, nem as respectivas tarefas funcionais, pretendendo a empresa que os trabalhadores desempenhem funções indiferenciadas, num claro desrespeito pela formação, especialização e dignidade profissional, violando o CCT».

Segundo relatou o sindicato, «os horários de trabalho também não respeitam o princípio dos cinco dias de trabalho, seguidos de dois dias de descanso», e «o pagamento do trabalho prestado em dia feriado não está a ser efectuado com o acréscimo de 200% previsto no CCT».

Durante algumas semanas, trabalhadores com a categoria de recepcionista de hotel têm-se recusado a cumprir tarefas e escalas permanentes no bar e no restaurante, já que tais funções não correspondem à sua categoria profissional. O sindicato revelou que, «perante esta justa recusa, a direcção do hotel tem adoptado comportamentos que configuram perseguição patronal, aplicando sucessivas advertências disciplinares».