Juventude quer a paz e a cooperação entre os povos
Como não podia deixar de ser, a solidariedade internacionalista e a defesa de um mundo de paz e cooperação, livre do imperialismo, fez-se presente em todo o Congresso.
Afonso Beirão lembrou que, hoje «673 milhões de pessoas passam fome no mundo, 251 milhões de crianças e jovens ainda não têm acesso à escola, 11 por cento da população mundial vive na pobreza extrema». O capitalismo em «crise estrutural, responde com mais exploração e mais guerra», ameaçando intervir militarmente em todos os países que se oponham ao seu domínio hegemónico. O jovem reafirmou a solidariedade da juventude portuguesa com os povos do mundo, reconhecendo a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD) como a «expressão mais significativa da ampla frente juvenil anti-imperialista». Em relação ao relacionamento internacional da JCP, frisou a importância das relações multilaterais e bilaterais, criticando atitudes sectárias no movimento comunista internacional.
Sobre a acção da JCP na campanha de solidariedade em curso «Por Cuba! Fim ao bloqueio», Leonardo Medeiros referiu que esta tem juntado muitos «jovens, sejam eles comunistas ou não».
«A juventude vai vencer com a FMJD»
Apesar de o mundo de hoje ser diferente do de 1945, ano de fundação da Federação, Gonçalo Lopes, presidente da FMJD (em nome da JCP), valorizou o papel desta estrutura, que une organizações juvenis diversas em torno do objectivo comum da luta anti-imperialista. «Contem com a FMJD!», exclamou.
«Os tempos são difíceis e violentos», explicou, considerando, entretanto, que também são «de confiança» na luta contra «o imperialismo norte-americano que, com os seus aliados do G7, está mais agressivo, intervém militarmente e apoia forças reaccionárias […] com a guerra a servir de desculpa para retirar direitos».
Neste âmbito, Gonçalo Veiga abordou a importância dos Festivais Mundiais da Juventude e dos Estudantes, promovidos pela FMJD, lembrando que «este é o tempo em que a imaginação passa à concretização – o 20.º Festival está já convocado, é para o ano, em Caracas, na Venezuela». Perante vivas à FMJD, sublinhou a importância que terá a constituição do comité nacional preparatório português, que levará «todas as reivindicações da juventude ao Festival».
Paz sim, guerra não!
O Congresso aprovou por unanimidade, e levantando pequenas bandeiras da Palestina, a moção Fim ao genocídio do povo palestiniano. Paz no Médio Oriente, lida por Duarte Raposo, onde reafirma a solidariedade com este martirizado povo e exige a formação de um Estado livre, independente e soberano. Além de se lembrar os milhares de mortos em dois anos de genocídio e denunciar as décadas de ocupação sionista, de 70 mil mortos em dois anos de genocídio, desde 2023 (e os muitos mais em décadas anteriores), exigiu-se um cessar-fogo permanente e efectivo e o fim das agressões na Cisjordânia e Jerusalém Leste, a entrada de toda a ajuda humanitária e a garantia de retorno de todos os refugiados palestinianos.
Noutra moção, Pela paz e de solidariedade com a juventude e os povos do mundo!, lida por Tomás Faria e unanimemente aprovada, o Congresso rejeitou o aumento dos gastos militares e defendeu a necessidade de erguer «ainda mais alto a bandeira da paz», saudando a luta da juventude portuguesa pela paz e contra o imperialismo e expressando a sua solidariedade, designadamente, com Cuba, Venezuela, Sara Ocidental e Chipre.
Venceremos!
O Congresso contou com importantes intervenções de convidados internacionais.
Husam Daoud, da FDL da Palestina, denunciouos «cárceres debaixo de terra» de Israel, «onde há presos que levam mais de 50 anos», lembrando que o cessar-fogo está apenas a ser cumprido pela resistência palestiniana, com Israel a atacar «todos os dias» não só a Faixa de Gaza, como a Cisjordânia, onde se intensifica a acção dos colonos israelitas.
Suniel Sosa, da UJC de Cuba e secretário-geral da FMJD, realçou a causa comum da «construção de uma sociedade socialista que supere as contradições do sistema capitalista de economia mundial». Agradeceu a solidariedade da JCP para com o seu país «na sistemática denúncia do bloqueio económico genocida», convidando-a a estar presente, em Agosto, no centenário de Fidel.
Eirimar Malave, dirigente da Juventude do PSUV e deputada, frisou que a Venezuela «está a ser assediada pelosEUA, sob a mentira da luta contra o narcotráfico», pretendendo roubar os recursos do seu país. «Não podemos optar entre vencer ou morrer. Necessário é vencer», exclamou, citando José Félix Ribas, “general da juventude”, e completando: «Nós venceremos sempre!».
Solidariedade internacionalista
No decorrer dos trabalhos, foram diversas as organizações de outros países que transmitiram as suas saudações ao Congresso em formato de vídeo:EDON, Chipre; UJDL, Líbano;JUCO, Colômbia; UJS e UJC, Brasil; LJC da África do Sul; UJ do Bangladesh;UES, Sri Lanka; MJC de França;SDAJ, Alemanha; COMAC, Bélgica; JMPLA, Angola; e OJM, Moçambique. Também estiveram presentes: JC da Catalunha; JS da Croácia; UJC de Espanha; Galiza Nova; JC da Grécia; LJC, Grã-Bretanha; JC, de Itália; e JC da Turquia. Enviaram saudações: FJC, Argentina; JC da Áustria; LJC, China; UM Galega; FJ de Toda a Índia; LJC da Jugoslávia; UJD do Kuwait; JDU do Líbano; FNJ do Nepal; UJD da Palestina; UJ Saharauí; UJD da Síria; UJC do Uruguai; e UJC Ho Chi Minh, Vietname.
Comunicação social ignora
No dia 17, a JCP enviou um protesto à ERC pela não cobertura jornalística do Congresso, questionando qual o critério para ignorar este importante acontecimento quando se realizam coberturas tão intensas de outras juventudes partidárias e, mesmo, de movimentos fascistas. No documento, lembra-se as centenas de delegados e convidados presentes, bem como as intervenções de António Filipe e Paulo Raimundo.




