- Nº 2712 (2025/11/20)
O jovem assinalou, igualmente, em jeito de introdução aos dois dias de discussão que aí se iniciaram, que, apesar de, quatro anos volvidos desde o último Congresso, a situação política nacional e internacional estar mais exigente, não faltará, jamais, a «coragem, determinação e resistência dos militantes da JCP e de milhares de jovens que contribuem para a luta». E foi exactamente sobre estas lutas, sonhos e aspirações da juventude que o Congresso se debruçou.
Mais JCP em todo o País
No balanço da organização, Marta Boavida sublinhou que a JCP conta, hoje, «com cerca de oito mil militantes por todo o País», tendo, no decorrer da preparação do Congresso, superado objectivos e conseguido inscrever 700 novos membros e criar 70 novos colectivos. «Ainda não chegamos a todo o lado, mas temos de lá chegar», assinalou.
Muitas foram as notas sobre as regiões do País e as respectivas organizações. Foi o caso de Tomás Simãozinho, que levou à tribuna as dificuldades sentidas no Litoral Alentejano, como a habitação ou as escolas sem condições, mas, também, as potencialidades em chegar a novos sítios. Bernardo Santos relatou que, em Aveiro, houve um reforço em todos os sectores, particularmente ensino superior e juventude trabalhadora. Da mesma forma, Margarida Chalupa valorizou os 100 recrutamentos e 15 novos colectivos no Porto e Ana Beatriz Santos destacou os 665 novos militantes na região de Lisboa. Guilherme Marques referiu que dificuldades como as deslocações aos centros de trabalho não impediu o crescimento no Ribatejo,Maria Rôlo comentou sobre a necessidade de ir além dos concelhos prioritários, e Beatriz Perinha sublinhou os recrutamentos em escolas de Portalegre e Elvas. Da mesma maneira, foram relatadas dificuldades e potencialidades em regiões como Braga, por Carolina Gonçalves, Castelo Branco, por Fabiano Faria, Bragança, por Gil Branco, Madeira, por Tobias Freire, Viseu, por José Pedro, Algarve, por Júlio Calaça e Alentejo, por Margarida Condeço. Mariana Rodrigues, Ângelo Ferreira, Bárbara Machado e Adriana Carloslevaram ainda, respectivamente, as experiências das organizações regionais da Guarda, Évora, Coimbra e Viana do Castelo.
Defender os nossos direitos
O Congresso foi espaço de intervenção sobre variados direitos e áreas da nossa vida colectiva, da paz à cultura, passando pela igualdade e o desporto.
O papel da JCP no direito à cultura foi sublinhado por Inês Reis, que interveio sobre os 50 anos da Festa do Avante!, «festa dos trabalhadores e do povo», Catarina Lopes, que abordou o êxito do CinemAgit em Setúbal, Maria Gaspar, que falou sobre o Concurso Novos Valores, «uma das expressões mais vivas da cultura na juventude» e Matilde Geada, que levou a necessidade da formação integral do indivíduo.
Carolina Silva denunciou o racismo e a xenofobia, alicerçados no capitalismo,Beatriz Rocha assinalou a importância da luta contra a discriminação em função da identidade e orientação sexual, «pelas diferenças que enriquecem o todo» e Laura Nunes abordou a histórica luta das mulheres.
A habitação foi levada por Inês Caeiro, da mesma forma que o associativismo por Mariana Metelo e Maria Leandro, o desporto por Bernardo Tralhão, o combate às adições e dependências por Tiago Antunes, a paz e a luta contra o rearmamento europeu por Luís Miranda, a liberdade e os direitos democráticos por Afonso Calixto, o ambiente por João Jesus, a saúde mental por Lara Leal e a ciência e a tecnologia (e os perigos da sua instrumentalização) por Rafael Tomé.
Contra os ataques ao ensino superior
A Organização do Ensino Superior assume um papel fulcral na JCP, intervindo num meio onde os estudantes são confrontados com ataques aos seus direitos, com o aumento da propina, a falta de residências públicas, a insuficiência da acção social, a uniformização dos currículos imposta pelo Processo de Bolonha ou a falta de democracia nas faculdades. Foi sobre isso, e também sobre o alargamento no sector, com 37 novos colectivos, que falou Pilar Morais. Já Violeta Gregório denunciou a divisão, «que é de classe», entre universidades e politécnicos, abordando o reforço da JCP nestes últimos.
Também houve espaço ao relato das actividades do sector em diferentes áreas, regiões e instituições. David Taletelevou a intervenção nas praxes, Ana Francisca, o ensino superior em Coimbra, Carolina Ferreira, a FLUL, Vasco Josué, a FCSH, Rita Fernandes, a FPCEUP, Tiago Pancadas, a ESAD.CR (onde 400 estudantes participaram numa RGA), Guilherme Mira, o IPS, e Leonor Lopes, o sector na região de Aveiro.
Ensino secundário é prioritário
Prioridade da JCP, oensino secundário tem de enfrentar uma dura luta por «uma escola pública com mais condições», como referiu Maria Rita, numa intervenção geral sobre o sector, onde anunciou as mais de 300 inscrições só na preparação do Congresso. Outros temas comuns abordados na tribuna foram a importância das associações de estudantes, por Dinis Silva, a luta pelo fim dos exames nacionais, por Gabriel Vítor, e o ensino profissional – trazido nas suas múltiplas lutas, contra a sobrecarga horária, a falta de condições materiais e falta de estágios dignos – por João Lobo e Renata Madureira.
Também as lutas em diferentes regiões, áreas e escolas foram levadas para o Congresso: Tomás Vinícius, a região de Braga; Helena Martins, a Covilhã; Maria Oliveira, o ensino artístico; Helena Caetano, a ES Michel Giacometti; Leonor Pintassilgo, a ES Tomás Cabreira; Bruno Sousa, o INETE; Sofia Castanheira, o distrito de Aveiro; Leonor Ribeiro, a ES Fafe; e Dinis Correia, a ES Leal da Câmara.
Na luta contra o pacote laboral
«Este pacote é apenas uma máquina de produzir precariedade, desigualdade e descontentamento. […] Os jovens trabalhadores não querem, não aceitam este pacote que o Governo quer impor. […] Por isso, dia 11 de Dezembro é dia de luta, é dia de os fazer tremer. Contra o pacote laboral, a greve é geral!», afirmou Maria João Falcão sobre o pacote laboral, uma das principais frentes de luta da juventude trabalhadora, sector onde, nas palavras de Guilherme Garcia, grandes avanços no «funcionamento mais oleado» da organização coexistem com dificuldades no recrutamento e integração de jovens precários.
O tele-trabalho, jovens professores, jornalistas, construção civil (e a falta de direitos dos imigrantes), luta no BNP Paribas, a importância da sindicalização e a organização do sector na região do Porto foram, ainda, o foco das intervenções de Vinícius Rolho, Luísa Baptista,Diogo Alexandre, Gabriel Santiago, André Arroz, Rodrigo Azevedo e Licínio Oliveira, respectivamente.
A ofensiva adensa-se
A ofensiva ideológica e os meios de a combater (como a formação ideológica, levada por Francisco Jesus, ou a imprensa partidária, como o Avante!, O Militante e o AGIT, tema abordado por Ricardo Ferraz) foram o foco de Martim Magalhães, que sublinhou a necessidade de se lutar «contra o domínio ideológico do capital».
Na mesma senda, se Gonçalo Paixão mostrou como o projecto da política de direita afecta a juventude, Miguel Félix afirmou que é necessário dar combate às concepções reaccionárias, munidos dos valores de Abril inscritos na Constituição (abordada por Matilde Lima), aprofundando o conhecimento da realidade (como a economia, foco da intervenção de Dinis Silveira), incluindo em momentos de luta como o Dia Nacional do Estudante, trazido por Amélia Saraiva. Não tão ideológica, mas com efeitos directos na sua vida, Beatriz Nunes contou como, pela pintura de um mural, foi transformada em arguida, não podendo sair do País sem avisar as autoridades.
Rumo ao mundo novo
A JCP situa-se entre organização e movimento, sublinhou Manuel Calejo, destacando esta “fluidez” como uma das suas vantagens, permitindo alargar contactos e mobilização, instrumento essencial em períodos eleitorais, foco de Pedro Fialho.
O reforço da JCP, no entanto, depende de um adequado trabalho de direcção e da responsabilização de mais quadros, como afirmou Maria Inês Costa, assim como da sua independência financeira, levada por Pedro Fernandes. Só isto, a par de um trabalho institucional adequado e de formas de propaganda cada vez melhores (temáticas referidas por Guilherme Almeida e Sofia Daniel), permite reforçar o trabalho unitário levado à tribuna por José Pinho e a participação dos comunistas no movimento juvenil, como defendido por Inês Jorge, ajudando a que o mundo novo e a democracia avançada como «etapa intermediária do caminho do socialismo» (como disse Vitória Carvalho) esteja cada vez mais perto.
Nova direcção eleita
Na 3.ª sessão, reservada aos delegados, o Congresso elegeu por maioria, com uma abstenção, a nova Direcção Nacional (DN) da JCP, composta por 65 jovens comunistas, responsável por dirigir a organização entre congressos, de acordo com as orientações agora aprovadas. A DN eleita é composta por 32 rapazes (49,2%) e 33 raparigas (50,8%), dos quais 15,4% são estudantes do ensino secundário, 4,6% do ensino profissional, 56,9% do ensino superior e 23,1% da juventude trabalhadora. A média de idades é de 20 anos.
Delegados são rosto da luta
«Estiveram presentes 287 delegados. 155 são do sexo masculino [54%], e 132 são do sexo feminino [46%]. Verifica-se um aumento da percentagem de raparigas em relação ao 12.º Congresso. A média de idades dos delegados presentes é de 20 anos. 24% são estudantes do ensino secundário ou básico, 3% são do ensino profissional, 50% são do ensino superior e 23% são jovens trabalhadores. [...]Este congresso é fundamental ao imprescindível reforço e crescimento da nossa organização, desde logo pelo facto de um considerável número dos delegados presentes se ter tornado militante depois do anúncio do mesmo».
Excertos do relatório da comissão de verificação de mandatos, lido por Diogo Cartuxo.
Mais de 500 propostas
«Quase uma centena de momentos de discussão do projecto de Resolução Política. 467 propostas de alteração que chegaram à comissão. Este é resultado do amplo processo de discussão feito em todo o País por centenas de jovens comunistas e amigos da JCP que envolvemos. Ao longo dos trabalhos do Congresso, chegaram, ainda, mais 50 propostas de emenda, […] a maioria de correcção de formulação [que] foram aceites na totalidade.[…] Das mais de 500 propostas, desde a que acrescenta um ponto à que reflecte mais a fundo, das actas que saem das reuniões e estão repletas de contribuições à proposta concreta, esta é mais uma prova de que a juventude tem sim interesse em discutir os seus problemas, as suas aspirações, o caminho que quer traçar».
Excertos do relatório da comissão de redacção, lido por Inês Castro