EUA e NATO apostam na confrontação

Perante a tendência da perda da sua hegemonia planetária, o imperialismo aposta na confrontação e na guerra, ameaçando a paz e a segurança mundiais, mas garantindo milhares de milhões aos industriais do armamento.

«Há mais dinheiro em cima da mesa [para armamento] e mais há-de fluir», garantiu Mark Rutte

Os Estados-Membros da NATO devem incrementar a produção de armamento de forma a estarem «preparados para uma confrontação prolongada com a Rússia, a China, o Irão e a Coreia do Norte», afirmou o Secretário-Geral da organização, Mark Rutte, num encontro com representantes da indústria bélica, recentemente realizado em Bucareste, na Roménia.

Rutte garantiu aos industriais do armamento que «há mais dinheiro em cima da mesa e ainda mais vai fluir». De facto, ainda há dias o deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Oliveira, denunciara precisamente o empenho da União Europeia em mobilizar milhares de milhões de euros para a guerra e os grupos económicos, muitos dos quais precisamente do sector do armamento. Os membros da NATO, realçou o Secretário-Geral deste bloco político-militar belicista, deverão aumentar os seus gastos militares para um patamar de cinco por cento do PIB até 2035.

Procurando justificar este significativo incremento dos gastos militares com falsas ameaças e responsabilizando a Rússia, a China, o Irão e a RPD da Coreia de «desafiarem as “regras globais”» – na verdade, os ditames que os EUA, com a NATO, querem impor por todo o mundo –, Mark Rutte nada diz sobre as ameaças dos EUA à Venezuela e à Colômbia, a extraordinária concentração de forças militares dos EUA no Mar das Caraíbas, a militarização da Ásia-Pacífico promovida pelos EUA e NATO e a guerra por procuração que travam na Ucrânia, visando a Rússia, ou sobre as agressões militares da NATO contra a Jugoslávia ou a Líbia.

A Rússia reagiu às declarações rejeitando quaisquer intenções agressivas e acusando Mark Rutte de pretender assustar os povos com falsas ameaças para, dessa forma, procurar justificar os consideráveis aumentos dos gastos militares no âmbito da NATO e da UE. Recordou ainda que foi o envolvimento mais profundo da NATO na Ucrânia que levou à escalada do conflito em 2022.

Novo risco de escalada aberto pelos EUA
Entretanto, no dia 5, os EUA testaram o míssil balístico intercontinental Minuteman III, que percorreu sete mil quilómetros. O objectivo do teste, dizem as forças armadas norte-americanas, foi apenas e só avaliar a prontidão e eficácia do míssil.

Mas o facto do teste ter sido realizado pouco depois de Donald Trump ter decidido o reinício dos ensaios das armas nucleares norte-americanas motivou preocupações por todo o mundo.

Três dias depois do teste, o governo russo informava não ter ainda recebido qualquer explicação das autoridades norte-americanas acerca da relação entre o ensaio e a nova orientação dada por Trump quanto ao anúncio do reinício de ensaios de armas nucleares por parte dos EUA, em violação do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares.

Na sequência da decisão anunciada pelos EUA, a Rússia decidiu elaborar um relatório sobre a eventual necessidade de retomar igualmente os testes nucleares. Lembrando que sempre respeitou as obrigações resultantes do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares, a Rússia recordou a garantia deixada em 2023, de que se os EUA ou qualquer outro Estado signatário deste Tratado realizassem tais testes, a Rússia responderia da mesma forma.

 



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