Em defesa de Trás-os-Montes e Alto Douro
A passagem de António Filipe pelos distritos de Bragança e Vila Real, no final da semana passada, resultou em vários momentos distintos e de grande importância. Do contacto com as populações à conversa com associações de agricultores, reforça-se a urgência de um Presidente que conheça e defenda os interesses do Interior.
Em defesa da coesão territorial e da soberania produtiva
A região de Trás-os-Montes e Alto Douro é uma área de minifúndio e pequena propriedade, característica que ajuda a definir a identidade de um povo para quem a agricultura nunca deixou de ser uma das principais actividades, mesmo num momento em que viver desta seja um verdadeiro acto de resistência.
Junto da direcção da Casa do Douro, em Peso da Régua, apontaram-se as dificuldades com o estatuto jurídico da casa, o que tem impedido o acesso a fundos e apoios. Abordou-se ainda a situação dos viticultores que têm desenvolvido uma forte luta pela valorização daquilo que produzem.
Já o encontro com associações de agricultores na Casa do Lavrador, em Bragança, deixou claro que as políticas não estão desenhadas para as pequenas produções.
Seria impossível os agricultores da região receberem fundos e subsídios sem o apoio e estrutura desta casa e das associações que a compõe. Numa zona onde predomina a produção familiar, a subsistência torna-se uma tarefa cada vez mais complexa e inglória.
Ao longo de uma muito participada e franca conversa, as associações expuseram as dificuldades sentidas, assim como as principais preocupações com o futuro. Uma das preocupações prende-se com as imposições perspectivadas com a nova PAC, onde o Estado passa a ter um papel maior na distribuição de verbas e apoios. Isto tem deixado os agricultores com «receio de não receber o dinheiro» de que tanto precisam para as suas produções.
«As associações estão com a corda ao pescoço», apontou um dos presentes. As dificuldades burocráticas que forçam a que, muitas vezes, os agricultores enfrentem dificuldades acrescidas, o quadro comercial que dificulta a rentabilização das produções e a falta de medidas que ajudem a prevenir o espalhar de surtos e doenças como aqueles que, recentemente, têm afectado o gado ovino e bovino são dificuldades que acrescem aos constrangimentos criados por décadas de desprezo pelos agricultores, desinvestimento na produção nacional e aceitação plena das imposições da UE.
No final da conversa, António Filipe referiu-se ao «papel importante da agricultura na defesa de um país equilibrado». O reforço do apoio na agricultura é crucial para melhorar as condições de quem vive no Interior, evitando que «os jovens tenham a tentação de sair», mas que possam sim «ficar cá e lutar pela sua terra». Da sua parte, os agricultores do nosso país podem contar com um Presidente firme na sua defesa, assim como na defesa da coesão territorial e da soberania produtiva.
Ensino para todos
Após almoçar na cantina do Instituto Politécnico de Bragança, António Filipe participou numa reunião com o reitor desta instituição e outros membros da direcção.
Como antigo membro do Conselho Geral do Politécnico de Santarém, António Filipe conhece bem o papel determinante que os politécnicos desempenham, assim como as dificuldades sentidas pelos mesmos.
A direcção reforçou o «papel para a coesão territorial» que o IPB cumpre, ao ajustar as suas funções às «exigências da região e dos seus jovens».Sobre as recentes decisões do Governo de aumentar a propina, comentaram que se está a decidir «tornar o acesso ao ensino superior mais difícil», «vedando o acesso a muitas pessoas».
António Filipe criticou a política de numerus clausus, afirmando que «se as pessoas concluem o ensino secundário têm de ter o direito a prosseguir os seus estudos». O candidato valorizou ainda o «contributo decisivo que este instituto tem dado à região».
«Conheço-vos muito bem»
«Precisamos de gente boa», disse, emocionada, uma comerciante de Mirandela, aquando da chegada de António Filipe e sua comitiva ao seu estabelecimento. Durante mais de duas horas, na tarde de quinta-feira, por lá andaram no contacto com os locais e comerciantes que compõem o tecido desta cidade.
«Conheço-vos muito bem», afirmava outra, referindo-se não só ao candidato, mas também aos camaradas que o acompanhavam. «Estão sempre por cá!» Assim se poderia resumir uma proximidade que não se constrói “à pressa” aquando de momentos eleitorais, mas é sim uma forma distinta de estar na vida.
«Os valores de Abril não são uma efeméride»
Como tem sido regra nas últimas semanas, demos nota de várias sessões e conversas muito participadas onde, para além de significativas expressões de apoio, se construíram espaços de afirmação política e discussão junto dos muitos apoiantes.
Em Braga, no café Vianna, uma conversa em torno do lema «Democracia, Direitos, Desenvolvimento», suscitou o interesse, não só dos muitos que se deslocaram a propósito da iniciativa, mas também de muitos outros que prolongaram a sua estadia no café para a ouvir.
«Os valores de Abril não são uma efeméride» e apesar de «vivermos num momento complicado para a democracia portuguesa», há forças para contrariar as tendências actuais e retomar caminhos de futuro, acredita António Filipe. «As forças progressistas precisavam de uma candidatura» e ela, aqui está! À medida que o tempo passava, a sala enchia-se de mais apoiantes, com alguns deles a participar no momento de discussão seguinte. Discutiram-se temas como o ensino superior e a regionalização, onde se destacou o papel dos jovens que «têm de ter nas suas mãos a construção do seu futuro», assim como as manobras que impediram um avanço para uma necessária regionalização, no passado.
Mais tarde, na Fraterna Centro Comunitário, em Guimarães, a sala do auditório encheu-se para mais uma sessão. Era preciso «um candidato que se identificasse com algo de diferente, que não quisesse mais do mesmo», «uma candidatura diferente das demais». Esta é a candidatura dos que querem um Presidente sério, frontal, «que não esconda as suas opiniões e esteja do lado certo, do lado dos portugueses que estão a braços com as dificuldades da vida». Uma apoiante denunciou ainda o papel da comunicação social na descarada promoção de quatro candidaturas nestas eleições. O capital conhece os seus candidatos, e é por isso que é tão importante que os trabalhadores conheçam o seu.
Já segunda-feira, num dia que começou com uma visita à Universidade Sénior de Setúbal, realizou-se mais uma sessão pública, desta vez, na Moita. Ana Fernandes, presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, eleita pela CDU, apresentou a sessão que decorreu na associação de reformados, pensionistas e idosos Norte. Lembrou que «esta candidatura nasce de quem todos os dias luta», «que insistem numa vida e num mundo melhor». De seguida, Diogo Ferreira fez uma curta intervenção. «Como historiador, homem de esquerda e independente», «vejo no António Filipe a única figura capaz de unir a esquerda». É hora de «dar combate, nas ruas», para responder aos «tempos conturbados em que vivemos».
António Filipe começou a intervenção com «uma palavra de tranquilidade», reiterando que não desiste e que esta candidatura ira lutar por um resultado que permita a ida à segunda volta. Prevê-se uma luta política difícil mas entusiasmante, pois «precisamos de resgatar a esperança», «essa esperança que não pode ficar à espera».
Por um SNS mais forte e capacitado
Conhecer os problemas que estão colocados aos hospitais e centros de saúde é essencial no desempenho das funções presidenciais. No encontro com a direcção da ULS Barcelos-Esposende, os seus membros apontaram as limitações espaciais como o principal problema. Há muito prometida, e há muito tempo na gaveta, a construção do novo hospital voltou a ser assunto nos últimos meses. «Uma necessidade mais que reconhecida e que tarda muito», assim caracterizou António Filipe, em declarações à comunicação social. «Os profissionais e os utentes têm essa expectativa» e um Presidente «tem de estar atento à sua construção».
No dia seguinte, conheceram-se os problemas da ULS Trás-os-Montes e Alto Douro onde, confrontados com os problemas provocados pela política de direita, a opção foi firme e passou pela internalização de várias valências. Isto permitiu manter muitos trabalhadores no serviço público. Esta ULS, que serve as populações de 18 concelhos, passou ainda a servir, em certas valências, populações de concelhos nos distritos de Vila Real, Bragança, Viseu e até do Porto.
São os trabalhadores que criam a riqueza
Dias antes de participar na Marcha Nacional convocado pela CGTP-IN, António Filipe contactou com as ORT da Bosch, em Braga. Esta empresa, que integra o núcleo das principais exportadoras do País, avançou com um processo de lay-off que está a afectar milhares de trabalhadores, numa manobra já noticiada na última edição do Avante!. Nesta conversa, os representantes do Site-Norte/CGTP-IN, assim como da comissão de trabalhadores, denunciaram as condições impostas pela empresa, como o período inicial de seis meses mas a possibilidade da sua expansão ou o despedimento imediato de todos os trabalhadores com vínculos temporários. Abordaram-se ainda os impactos da guerra comercial iniciada pelo governo de Trump na indústria. «Baixos salários são um sinal de atraso», apontou o candidato presidencial.




