- Nº 2710 (2025/11/6)Das ameaças à Venezuela, estendidas agora também à Colômbia, ao saque da economia argentina, o imperialismo norte-americano volta a apertar o cerco aos povos da América Latina, que quer continuar a tratar como o seu “pátio das traseiras”.
No fim-de-semana, os jornais Miami Heradl e The Wall Street Journal noticiaram (citando “fontes” da administração norte-americana) que os EUA se preparavam para bombardear «a qualquer momento» território da República Bolivariana da Venezuela. Questionado sobre estas informações, numa entrevista à CBS, o presidente Donald Trump afirmou «não acredito nisso», mas depois, noutra aparição televisiva, reconheceu que «sim, temos planos muito secretos».
Entre denominadas “fugas de informação” e desmentidos que não o são, os factos falam por si: os meios militares dos EUA hoje colocados nas Caraíbas são os maiores desde a agressão ao Iraque, em 2003, e constituem uma séria ameaça contra a República Bolivariana da Venezuela e outros países da região.
O navio de guerra USS Gravely foi enviado recentemente para Trindade e Tobago, arquipélago localizado a poucos quilómetros da Venezuela. As autoridades venezuelanas garantem não se estar perante quaisquer exercícios militares defensivos, como é apregoado pelos EUA, mas sim de uma operação que visa uma agressão militar, que pretende converter as Caraíbas num espaço de violência e de domínio do imperialismo norte-americano.
Pouco depois, o Secretário da Guerra dos EUA, Peter Hegseth, ordenou que o porta-aviões USS Gerald R. Ford – considerado o maior navio militar do mundo – se retirasse do Mar Mediterrâneo e rumasse às Caraíbas, para a área de actuação do Comando Sul dos EUA (América Central e do Sul e Caraíbas).
Entretanto, as autoridades venezuelanas informaram ter capturado grupos de mercenários às ordens dos serviços de informações dos EUA, denunciando a preparação de uma «operação de “falsa bandeira” a partir de águas territoriais de Trindade e Tobago ou mesmo do seu próprio território ou de solo venezuelano, para desencadear um confronto militar total». O próprio Donald Trump tinha revelado que autorizara a CIA a levar a cabo operações contra a Venezuela.
Colômbia visada
As ameaças à Venezuela, sob o pretexto do falso “combate ao narcotráfico”, estendem-se também à Colômbia e ao seu presidente, Gustavo Petro, a quem a administração norte-americana impôs sanções.
Perante as medidas coercivas dos EUA e intervindo, há dias, num comício em Bogotá, Gustavo Petro garantiu que nunca cedeu a propostas mafiosas e de quem hoje ataca quem sempre enfrentou o narcotráfico. Denunciando que, em pleno século XXI, um governo estrangeiro procura impor a submissão da Colômbia, Gustavo Petro afirma que o povo colombiano é o único poder soberano da Colômbia.
O governo venezuelano manifestou a sua solidariedade com o presidente Gustavo Petro e com o povo colombiano, salientando que «os ataques contra a Colômbia são ataques contra a Pátria Grande».
O presidente do Brasil, Lula da Silva, ofereceu-se para mediar o diálogo entre os EUA e a República Bolivariana da Venezuela: «Disse ao presidente Trump que a situação está a agravar-se e que o Brasil pode ajudar a manter a América do Sul como uma Zona de Paz.»
Chantagem sobre o povo argentino
Os resultados das recentes eleições na Argentina também estão ligados a esta renovada ambição imperialista dos EUA na região. O “resgate financeiro” prometido pela administração norte-americana se – e apenas se – o partido de Javier Milei vencesse as eleições (o que veio a acontecer) mais não foi do que uma chantagem política sobre o povo argentino. Uma chantagem que dá cobertura a uma operação de especulação sobre um país à beira do colapso financeiro: a dívida comprada agora a custos altamente favoráveis – para os especuladores, evidentemente – será paga mais tarde com elevados juros. O custo de tudo isto será suportado pelo povo argentino, sobre quem recairá ainda mais “austeridade”, e pela própria economia do país, cada vez mais frágil e dependente do exterior.
Num comunicado emitido após as eleições de dia 26 de Outubro, o Partido Comunista da Argentina (PCA) sublinha que a ingerência directa norte-americana na campanha eleitoral foi «decisiva no resultado». O PCA denuncia os despedimentos, o encerramento de empresas, os cortes em serviços públicos essenciais, as privatizações anunciadas de centrais nucleares e termo-eléctricas, a entrega ao imperialismo de recursos naturais e da soberania nacional, incluindo com a presença de tropas norte-americanas em bases militares argentinas.
Para os comunistas argentinos, a situação exige o reforço da luta política, reivindicativa e ideológica, essencial para o reforço do movimento popular, apontando, com confiança, a possibilidade e a necessidade da alteração da correlação de forças adversa revelada pelos resultados eleitorais.