- Nº 2710 (2025/11/6)O deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Oliveira, questionou o Conselho da União Europeia e a Comissão Europeia acerca das suas posições políticas relativamente ao Sara Ocidental. João Oliveira acusa ambos os órgãos de ignorar os direitos nacionais do povo sarauí.
Esta nova pergunta surge na sequência de notícias que indicam que a Comissão Europeia se prepara para aplicar de forma provisória um novo acordo onde se pretende introduzir a chamada noção de “consentimento presumido”, uma tentativa de contornar as decisões do TJUE e a participação em negociações da Frente Polisário, legítima representante do povo sarauí, violando os seus direitos nacionais e a sua soberania sobre o seu território e recursos.
O deputado comunista questiona, designadamente, sobre o envolvimento e participação da Frente Polisário neste acordo comercial (como, aliás, ditam as decisões do TJUE), a forma como o Conselho e a Comissão pretendem negociar com a Frente Polisário a compensação de perdas materiais que resultam dos acordos entre a UE e o Reino de Marrocos e as medidas que tomarão para respeitar e cumprir o direito do povo sarauí à sua autodeterminação, de acordo com as resoluções da ONU.
Conselho de Segurança da ONU aprova resolução
No dia 31, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adoptou a Resolução 2797, que renova por mais um ano o mandato da missão da ONU (MINURSO), constituída em 1991 para organizar um referendo de autodeterminação, nunca realizado em resultado do sistemático boicote por parte de Marrocos. Entre outros pontos, a resolução prevê que o “plano de autonomia” proposto por Marrocos possa constituir a base para as negociações.
O documento, apresentado pelos EUA, foi aprovado por 11 votos a favor e as abstenções da China, da Rússia e do Paquistão. Na base das três abstenções esteve a vontade de não bloquear o prolongamento da missão da MINURSO. A China salienta, no entanto, que a resolução não acolhe as preocupações de todos os membros do Conselho de Segurança sobre a defesa de uma solução política; a Rússia recusou-se a apoiar um texto que considera «desequilibrado» e acusou os EUA de utilizarem o Conselho de Segurança para apresentarem a sua posição própria; o Paquistão garante que o texto não aborda na íntegra princípios importantes, como o da autodeterminação.
A Argélia optou por não participar na votação. Realça, entre outros aspectos, que o texto: fica aquém das expectativas e das legítimas aspirações do povo sarauí, representado pela Frente Polisário, que há mais de 50 anos luta para determinar o seu próprio futuro; dá prioridade a uma opção em detrimento de outras criando um desequilíbrio ao enfatizar as ambições territoriais de Marrocos, descurando as aspirações do povo sarauí; ignora as propostas da Frente Polisário, sublinhando que a sua opinião, enquanto parte no conflito, deve ser ouvida.
Frente Polisário reafirma direitos do povo sarauí
Reagindo à aprovação da resolução, a Frente Polisário reiterou o seu compromisso com o direito à autodeterminação e independência do povo sarauí e criticou alguns dos termos do documento, desde logo os que ignoram o estatuto internacional do Sara Ocidental como “território a descolonizar” e prejudicam os princípios que sustentam o processo de paz nos termos definidos há décadas pela ONU, cumprindo com o seu direito à auto-determinação do povo sarauí, nomeadamente através da realização de um referendo.
A Frente Polisário lembra que é a única representante legítima do povo sarauí e reafirmou a sua disposição permanente em participar de maneira construtiva no processo político liderado pelas Nações Unidas. Porém, realçou, não participará em nenhuma negociação baseada em propostas destinadas a tentar “legitimar” a ilegal ocupação militar marroquina ou a privar o povo sarauí do seu inalienável direito a decidir livremente do seu futuro.