- Nº 2708 (2025/10/23)

«Os Verdes» apoiam candidatura de António Filipe

Nacional

O Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) reuniu, sábado, o seu Conselho Nacional, onde analisou a situação política nacional e internacional, os resultados das eleições autárquicas, a proposta de Orçamento do Estado e as próximas eleições presidenciais.

Entre as principais conclusões, destaca-se a decisão de apoiar a candidatura de António Filipe à Presidência da República. Para «Os Verdes», o percurso político do antigo deputado «revela uma defesa intransigente da Constituição da República, uma profunda consciência dos problemas que afectam a qualidade de vida das pessoas e o desenvolvimento do país». O PEV considera ainda que António Filipe «é o candidato com as melhores condições para o exercício do próximo mandato e para unir uma ampla base de apoio de todos os democratas que defendem os princípios e valores constitucionais».

Resultados eleitorais

O Conselho Nacional reconheceu que os resultados das eleições autárquicas ficaram «longe do desejável», mas sublinhou que, apesar de um contexto de campanha «extremamente desfavorável», a CDU mantém-se como a terceira força autárquica, com maioria em doze câmaras municipais.

«Os Verdes» refutam a ideia de uma «perda catastrófica de representatividade» e destacam a recuperação de algumas autarquias, salientando o papel dos seus activistas e candidatos e dos muitos independentes que reforçam a CDU como «um entrave à ascensão de movimentos de índole antidemocrática».

O PEV sublinha ainda que os resultados confirmam o partido como «o único projecto ecologista no poder local», reafirmando o compromisso com as populações e com a defesa do ambiente e da justiça social.

Orçamento do Estado para 2026

Na análise ao Orçamento do Estado apresentado pelo Governo PSD/CDS, «Os Verdes» acusam o Executivo de aprofundar a injustiça social, degradar os serviços públicos e fragilizar o ambiente.

O PEV denuncia os «escandalosos benefícios fiscais» aos grandes grupos económicos e a descida do IRC para as grandes empresas, em contraste com «a ausência de medidas para melhorar as condições económicas dos cidadãos e das pequenas e médias empresas».

Critica ainda o subfinanciamento crónico da saúde, educação, cultura e investigação, bem como a redução de verbas para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), alertando que tal poderá agravar «a desvalorização das áreas protegidas e da biodiversidade».

Para os ecologistas, o Governo «mantém o País despreparado para enfrentar as alterações climáticas», enquanto canaliza «5% do PIB para gastos com a guerra» e persegue «a obsessão com os excedentes orçamentais».

Política internacional

No plano internacional, «Os Verdes» manifestaram solidariedade com o povo palestiniano, exigindo o fim do genocídio e a entrada urgente de ajuda humanitária. Defendem ainda a implementação de uma solução de dois Estados que garanta a paz e o direito do povo palestiniano à autodeterminação.

 

Desmantelamento do ICNF será fatal para a conservação da Natureza

O Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) criticou a intenção do Governo PSD/CDS de extinguir o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), transferindo as suas competências para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e as CCDR. Em nota divulgada a 15 de Outubro, o PEV recorda que esta «não é uma intenção nova», já proposta por um Governo do PS, e denuncia que a redução do orçamento do ICNF no Orçamento do Estado para 2026 confirma a intenção do executivo.

Para «Os Verdes», a fusão de entidades «dispersa meios, acumula funções e reduz trabalhadores», agravando a falta de recursos humanos já existente. A extinção do ICNF significaria «o fim de um serviço específico e dedicado à conservação da Natureza», fragilizando as políticas de preservação da biodiversidade e das áreas protegidas.

O PEV avisa que, se o Governo avançar, encontrará «fortíssima oposição dos ecologistas e de todos os que valorizam a Natureza». Considera ainda que esta intenção se soma a «medidas atentatórias do ambiente», como o simplex ambiental e projectos energéticos e mineiros com impactos negativos. Em vez disso, defende o reforço dos meios humanos e materiais do ICNF, essenciais à conservação e valorização do património natural.