Porque incomoda, silencia-se
Há um indisfarçável incómodo nas nossas televisões com a CDU. Para o comprovar bastaria ter assistido quer ao Eixo do Mal de quinta-feira, 25 de Setembro, quer ao Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer de sexta-feira, 26. O incómodo prende-se com o facto de ser a CDU uma força com experiência, com trabalho reconhecido, com candidatos que sabem do que falam porque conhecem profundamente as suas terras e as suas gentes. Então, candidatos deste calibre, quando em confronto com as outras forças políticas, salta à vista quem conhece em contraste com quem fala de cor, quem tem propostas e soluções em contraste com quem tem para apresentar apenas um vazio de ideias e lugares-comuns.
Perante isto, não é de estranhar o silenciamento a que tem sido votada a campanha da CDU nos principais noticiários televisivos em horário nobre, e não será pela percepção que o Presidente da República procurou alimentar no passado sábado, a de que os líderes políticos estão menos envolvidos na campanha destas eleições autárquicas. Pelas outras forças políticas falarão os próprios, pela CDU não é certamente assim. Só contando o período após a Festa do Avante! podemos comprovar que o Secretário-Geral do PCP se desdobrou em dezenas de acções por todo o País. Uma agenda intensa praticamente sem expressão televisiva – essa dominada, como vai sendo habitual, pelos casos e polémicas do dia.
No momento em que se escreve este texto pode afirmar-se que o acompanhamento jornalístico às campanhas entra em força no terreno. As iniciativas terão outra visibilidade, também por força da suspensão dos trabalhos parlamentares. Ainda assim, há formas de se silenciar a campanha da CDU, nomeadamente o seu trabalho e a sua proposta distintiva. Uma dessas formas é procurar pôr todo o foco nas perguntas, no sentido das peças, noutras forças políticas. Assim se procura numa peça da CDU, que é a terceira força autárquica do País, alavancar outra que os círculos do poder económico desejam que conquiste autarquias, mas que neste momento não detém nenhuma. Esta situação tem sido notória na RTP, onde por exemplo um directo junto de uma obra da autarquia de Sobral de Monte Agraço foi completamente afogada por perguntas sobre o Chega. A outra é limitar a cobertura da campanha eleitoral a três forças políticas (incluindo àquela sem presença autárquica de relevo) como aconteceu na TVI neste fim-de-semana, ou procurar de forma subreptícia através de imagens antigas associar a CDU a investigações judiciárias duma candidata autárquica do PSD.
A obra autárquica da CDU está à vista de todos e entra pela lente das câmaras, nós vemo-la, apesar de quererem que se fale de outras coisas. As candidaturas da CDU são mesmo as melhores, os candidatos são silenciados porque são bons, porque o que dizem é justo e sentido pelas populações, e mesmo os preconceituosos anti-comunistas que dominam os painéis de comentário não conseguem ignorar essa qualidade e por isso mesmo há que usar todos os mecanismos mais ou menos criativos para silenciar esta força de trabalho, honestidade e competência.




