Alemanha quer que crise recaia sobre trabalhadores

A economia da Alemanha, que desde 2019 se encontra numa fase de estagnação, enfrenta uma «situação grave», reconheceu a ministra da Economia do país, Katherina Reiche, em entrevista ao jornal Bild.

Alemanha tem três milhões de desempregados e contração económica pelo segundo ano consecutivo

«A situação é grave. Actualmente, há três milhões de pessoas à procura de emprego. Desde 2019 estamos numa fase de estagnação (…). Houve alguns pequenos indícios de melhoria, mas atribuímos isso às exportações antecipadas para os EUA antes da imposição de tarifas aduaneiras», afirmou a ministra da Economia alemã.

A governante alemã aponta para os elevados custos energéticos e os «muito altos» gastos laborais, nomeadamente dos salários, para além do défice de investimentos, um factor que «marcará o rumo da economia alemã nos próximos 20 anos ou mais», considerou.

Por mais que o governo alemão se prepare para fazer recair o agravamento da situação económica sobre os trabalhadores, as razões que explicam a recessão na economia alemã são conhecidas, resultando em grande parte dos altos preços da energia – depois da rejeição por Berlim do fornecimento de gás russo – e das políticas neoliberais que intensificam a exploração e as desigualdades, promovendo uma ainda maior acumulação e concentração da riqueza.

O PIB da denominada “locomotiva” da economia no âmbito dos países que integram a UE caiu 0,2% em 2024, segundo ano consecutivo de retrocesso, algo que não ocorria desde 2002-2003, de acordo com dados do Gabinete Federal de Estatística (Destatis).

Em 27 de Julho, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente norte-americano, Donald Trump, alcançaram um acordo comercial que fixa tarifas de 15% para quase todas as exportações da UE para os EUA. Além disso, a UE comprometeu-se a comprar gás natural liquefeito (mais caro que o gás russo), combustível nuclear e armamento aos EUA. O pacto não elimina as tarifas de 50% aplicadas ao aço e ao alumínio, remetidas para futuras negociações.

Como parte do acordo, a UE deverá adquirir aos EUA energia num total de 750.000 milhões de dólares – 250.000 milhões anuais até ao final do mandato de Trump – e destinar investimentos adicionais em território norte-americano na ordem dos 600.000 milhões de dólares.

 



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