Jogo online tem de ser regulado

«Querer ignorar o problema da dependência do jogo é viver completamente aliado do país real», afirmou Paula Santos, no início da sua intervenção, no dia 24, sobre diversas propostas do Livre, acrescentando que se deve agir no plano da saúde pública, da prevenção e do tratamento, «mas também na remoção dos estímulos ao jogo».

«Com a liberalização do jogo online, apostas ou jogos de azar, há cerca de 10 anos, esta prática aumentou substancialmente», assinalou, considerando não ser de admirar «a agressividade publicitária dos operadores privados», num quadro onde «a concorrência, quer pela apropriação das imensas receitas, quer pela atracção de mais jogadores e maior volume de dinheiro para o sistema, é enorme».

«É esta a lógica que é preciso inverter», asseverou, e, por isso, sublinhou que estas actividades não podem estar apenas sujeitas à “auto-regulação” do mercado, que se contenta com 2,5 mil milhões de euros de receita bruta (fora a receita do jogo online não regulado e ilegal, «que se admite poder ser superior a mil milhões de euros»).

«A verdade é que os governos facilitaram o caminho para o crescimento do jogo, permitindo a obtenção de lucro privado através da atracção de mais jogadores, assim como a publicidade ao jogo, cujas receitas têm vindo a aumentar», disse.

A deputada recordou, ainda, as perturbações resultantes do jogo, «geradoras de enormes problemas».

«São precisas políticas para enfrentar este problema», referiu, elencando como prioridades (grosso modo, vertidas nas propostas, ainda que limitadas) a limitação da publicidade ao jogo, o reforço do mecanismo de auto-exclusão e mais meios técnicos e humanos para o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências.

 



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