O Porto precisa de ser uma cidade com direitos para quem ali mora e trabalha
Candidata da CDU à presidência da Câmara Municipal do Porto, Diana Ferreira apresenta-se com a experiência de oito anos como deputada na Assembleia da República (AR) e o compromisso de construir «um Porto para todos». Habitação, mobilidade, cultura, juventude e combate às desigualdades sociais estão no centro das propostas que, afirma, distinguem a CDU das restantes candidaturas.
«No dia 12 de Outubro, o que vai a votos é o futuro»
Como encaras esta responsabilidade de ser candidata da CDU à Câmara do Porto?
É, naturalmente, um orgulho e uma honra assumir esta responsabilidade, que encaro acima de tudo como um compromisso com a população e com os trabalhadores da cidade, com as suas aspirações e reivindicações, e com o seu direito a melhores condições de trabalho e de vida.
Que valor tem a experiência que tiveste enquanto deputada na AR?
Os oito anos que passei no Parlamento foram um tempo de muita aprendizagem. Muito trabalho também, mas foram sobretudo anos de intensa aprendizagem, quer no aprofundamento do conhecimento em muitas matérias, quer no próprio confronto político.
Como avalias o conjunto de candidatos da CDU aos diferentes órgãos autárquicos do concelho?
Estamos a falar de mulheres e homens comprometidos com um projecto transformador da cidade do Porto e das suas freguesias, que conhecem bem os problemas sentidos pela população, pelas associações, colectividades e diversas instituições e estruturas da cidade, fruto também do trabalho de proximidade que a CDU tem com as populações.
A CDU tem tido uma presença activa no município. Qual foi o contributo de Ilda Figueiredo como vereadora?
A Ilda Figueiredo desenvolveu um trabalho notável enquanto vereadora. Sempre batalhou pelo projecto de cidade que defendemos. Era a quem os moradores e muitas instituições recorriam sempre que estavam confrontados com problemas, encontrando na vereadora da CDU disponibilidade para ouvir e intervir, ajudando a encontrar soluções.
A determinação e a garra que coloca em tudo o que faz, a coragem que demonstra perante diferentes situações e a enorme capacidade de trabalho são ensinamentos preciosos para o futuro.
Que balanço fazes da actual gestão municipal?
A actual gestão municipal é um desastre para a cidade e tem enormes responsabilidades no avolumar de problemas antigos e na criação de novos. Rui Moreira e os seus séquitos foram executores (e cúmplices) de políticas que expulsam moradores, descaracterizam o Porto, desvalorizam os artistas e as estruturas culturais e esquecem o movimento associativo popular, entre tantas outras acções que têm prejudicado a cidade. Governam para uma elite que cá vive e para agradar aos que apenas visitam ocasionalmente.
A habitação no Porto é dramática. Qual o diagnóstico e que propostas tem a CDU?
O direito à habitação é um direito constitucional e uma responsabilidade primeira do Estado Central. Hoje, uma família que queira morar no Porto encontra rendas acima de mil euros e casas para comprar acima dos duzentos mil. O Regulamento Municipal sobre Alojamento Local prevê até 20 mil unidades, quando a cidade tem pouco mais de 15 mil habitações públicas (municipais e do IHRU). Isto revela bem como as prioridades estão invertidas.
É urgente travar a especulação imobiliária, aumentar o parque habitacional público, apoiar as associações de moradores e as cooperativas de habitação, não atribuir mais licenças de alojamento local e travar os projectos que avançam para a construção de 122 novos hotéis.
Que medidas propõe a CDU para melhorar os transportes e a mobilidade?
Reforçar os transportes públicos, articulando ferrovia, metro, autocarros e também formas de mobilidade suave, numa rede coordenada a nível municipal e metropolitano. Não podemos pensar a mobilidade apenas no espaço da cidade, ignorando que a expulsão de moradores para a periferia aumentou significativamente os movimentos pendulares.
Como valorizar a cultura e garantir o acesso democrático à mesma no Porto?
É necessário valorizar os trabalhadores da cultura, os criadores, companhias e estruturas de criação artística, o que implica financiamento adequado, disponibilização de espaços de criação e divulgação ampla do muito que se produz no Porto. Apoiar o movimento associativo cultural e dar primazia a este em vez de confundir cultura com mero entretenimento.
A cidade alberga instituições como a Casa da Música e a Fundação de Serralves, cujo acesso deve ser alargado, tanto mais que grande parte dos seus orçamentos vêm de dinheiros públicos.
Que respostas tem a CDU para combater as desigualdades sociais?
O combate às desigualdades sociais passa pela valorização dos salários, pelo reforço da protecção social e pelo pleno acesso à Educação, à Saúde, à Habitação e a outros direitos sociais. É preciso dar respostas de emergência, que o município deve assumir, mas sobretudo políticas estruturais que actuem na distribuição da riqueza e no reforço dos direitos.
Como conciliar o desenvolvimento turístico e económico com o direito a viver e trabalhar no Porto?
O turismo deve existir, mas não pode ter a centralidade que lhe tem sido atribuída. A pressão sobre a habitação, a proliferação de alojamentos locais e hotéis, os problemas de mobilidade, o ruído e a precariedade laboral são reflexos de uma opção desastrosa.
O Porto precisa que o turismo seja apenas uma das actividades económicas, inserida numa economia diversificada, centrada na qualidade de vida de quem cá mora e trabalha.
Que lugar tem a juventude no projecto da CDU para a cidade?
Um lugar de grande valorização, tanto na participação activa como nas respostas às suas necessidades. Defender habitação, cultura, mobilidade, educação e o usufruto da cidade é defender direitos da juventude. Acresce a necessidade de medidas específicas, como o reforço das residências estudantis públicas.
Que importância tem o contacto com a população na construção do programa?
Para nós, ouvir a população é fundamental. Já realizámos sessões abertas, como a que dedicámos à Cultura, onde a diversidade de contributos foi muito enriquecedora para o programa que queremos construir em conjunto com quem vive e trabalha na cidade.
Como analisas as outras candidaturas e o que distingue a CDU?
São, no essencial, candidaturas de continuidade das políticas que têm desgraçado a cidade. A CDU distingue-se pelo projecto que defende, pela sua ligação à força de Abril, à Constituição e ao Poder Local Democrático. Distingue-se também pela forma empenhada, abnegada e com muita entrega com que está na política – para servir os trabalhadores e as populações.
Que mensagem deixas aos portuenses que querem uma cidade mais justa e solidária?
Que essa resposta está na CDU. No dia 12 de Outubro, o que vai a votos é o futuro – o que queremos construir para nós e para os que virão depois. A CDU é a única força política de convergência à esquerda que assume a defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações e o compromisso de transformar o Porto numa cidade melhor, onde todos possam viver e crescer.




