- Nº 2702 (2025/09/11)

É ponto a ponto que se resiste e ganha o futuro

Festa do Avante!

Na confecção, divulgação e promoção do Tapete de Arraiolos resiste-se ganha-se o futuro ponto a ponto. Esta foi uma das ideias fortes da exposição e demais actividades patentes no Espaço Central da Festa do Avante!.

Na mostra, no debate que decorreu ao final da manhã de domingo e nas quatro visitas guiadas realizadas no fim-de-semana, transmitiu-se a certeza de que aquela arte e tradição de um povo, concentrada na Vila de Arraiolos, é multi-secular. Assentou-se, igualmente, a clara inspiração orientalista inicial dos motivos e a progressiva adopção de outras estéticas, reflectindo contextos socioeconómicos. Sublinhou-se, ainda, a bordadeira como figura central dos processos de produção e transmissão daquele saber-fazer único. Geração após geração.

No Espaço Ciência, ao final da tarde de sábado, lugar houve para contactar com a tinturaria natural dos Tapetes de Arraiolos, parte de uma das teorias que procuram explicar a origem daquela confecção tapeteira singular. Outras há, porém, dando aso ao debate.

Sem paralelo, contudo, foi e é o papel e intervenção do PCP e do município de Arraiolos na salvaguarda e valorização do Tapete de Arraiolos. Do seu reconhecimento nacional e internacional ao estudo aprofundado e à criação do Centro de Interpretação, até à submissão da candidatura do processo de confecção à Comissão Nacional da UNESCO, já em 2025. E de tudo isso também puderam ficar a par os visitantes.

Mas, se por acaso subsistirem dúvidas de que aquelas arte e tradição de um povo não são diferentes da vida e da luta, ouçamos o que nos disse uma bordadeira durante uma das oficinas de aprendizagem, rodeada de mais de duas dezenas de entusiasmados participantes: «Para fazer Tapetes de Arraiolos é preciso querer aprender e não desistir. Ver aqui tantos miúdos e jovens, dá-me esperança.» Estavam justamente a resistir e a ganhar o futuro. Ponto a ponto.