- Nº 2702 (2025/09/11)
Espaço Central

Analisar a realidade para a transformar

Festa do Avante!

Perante uma realidade que muda de dia para dia, a análise da situação política ganha, em cada Festa, novos contornos. O Espaço Central foi, por isso, novamente, palco de profícuos debates sobre diferentes temáticas, que juntaram, entre as noites de sexta-feira e domingo, centenas e centenas de visitantes para ouvir dirigentes e eleitos do PCP e vários convidados para cada um dos 15 debates que ocorreram no Fórum e no Auditório.

O público pôde, ainda, fazer perguntas e dar os seus contributos para a discussão, aprofundando uma análise que mais do que apenas pensar o mundo, tem como objectivo transformá-lo.

O combate à política de direita e a afirmação da alternativa foi um dos temas fortes do Espaço Central, patente em debates no Fórum, sobre os valores de Abril e a forma como se expressam nas gestões autárquicas da CDU (manhã de domingo e tarde de sábado), e no Auditório, sobre a contra-revolução (noite de sábado).

Moderado por João Frazão, que fez uma contextualização histórica e conceptual, o debate Abril – Valores para um Portugal com futuro! contou com outros dois membros da Comissão Política do Comité Central. Belmiro Magalhães confirmou os valores de Abril como “norte” da política patriótica e de esquerda, alicerçando-a na luta, convergência e organização de amplos sectores populares. Jaime Toga abordou as marcas da política de direita na história recente do País, que abriu caminho ao regresso do domínio do grande capital.

Por seu lado, Maria Inês Costa, do CC e da Comissão Política da JCP, referiu-se à ofensiva ideológica, promotora de valores contra Abril como o individualismo, a meritocracia e o egoísmo social.

O debate CDU nas autarquias – Projecto distintivo ao serviço da população foi moderado por Jorge Cordeiro, dos organismos executivos do CC, que valorizou o trabalho da Coligação como frente popular e unitária, a que se seguiu João Ferreira, da Comissão Política do CC e vereador em Lisboa, que considerou a capital como a «expressão concentrada» de 25 anos de política de direita – às quais só a CDU é alternativa.

Seguiram-se Vanessa Silva, da Comissão Nacional de Autarquias e técnica na AMRS, que denunciou os processos de transferência de competências para os municípios, e Miguel Ramalho, presidente da junta de Santiago Maior e S. João Baptista e membro da DOR Beja, que valorizou a delegação de funções (acompanhada de meios) dos municípios CDU para as freguesias.

Já Paulo Silva, presidente da Câmara do Seixal, destacou, alguns dos eixos fundamentais das gestões da CDU, a proximidade com os trabalhadores autárquicos e o diálogo constante com as populações, instituições e juntas.

A política de direita foi igualmente abordada no debate A contra-revolução hoje – O papel da extrema-direita, moderado por José Capucho, dos organismos executivos do CC, que lembrou o processo revolucionário inacabado. Membros da Comissão Central de Controlo, José Augusto Esteves apontou como principais características da contra-revolução a duplicidade, a promoção da divisão do povo e o recurso a todos os meios para os seus objectivos contra-revolucionários, incluindo a violência, enquanto Carlos Gonçalves fez um balanço, mostrando como o capital mais revanchista continua, como ontem, a promover forças neo-fascistas, como o CH e IL.

Para Jorge Machado, da DOR Porto, uma das frentes onde a contra-revolução actua é no capítulo das revisões constitucionais, impostas ao povo e que, hoje, ganham tracção com a ameaça de uma nova alteração. Já Inês Castro, do Secretariado e Comissão Política da JCP, mostrou como a contra-revolução afecta a juventude, visando neutralizá-la politicamente e promovendo o saudosismo.