Crise no Douro agrava-se sem respostas do Governo
No dia 20 de Agosto, frente à Casa do Douro, dirigentes da CNA e da AVADOURIENSE reafirmaram o compromisso «firme» com os viticultores desta Região Demarcada e exigiram soluções para a dramática crise que enfrentam.
«Impera a incerteza e a falta de acções concretas»
Reclamaram que o Executivo PSD/CDS concretize rapidamente um conjunto de propostas urgentes para mitigar a grave situação de falta de escoamento, quebra de rendimentos e para travar o abandono e o empobrecimento da Região. Entre outras, destacam-se: a concretização imediata da medida de apoio à destilação, dirigida prioritariamente aos pequenos e médios viticultores; a compra pelo Estado de 15 mil pipas de Vinho do Porto em stock, para libertar capacidade de armazenamento; a utilização prioritária de uvas da região na produção de aguardente para o Vinho do Porto; a rejeição total de medidas que visem reduzir o potencial produtivo (como o arranque da vinha); e a garantia de preços justos pelas uvas, nunca abaixo dos custos de produção.
Em comunicado conjunto, as direcções da CNA e da AVADOURIENSE esclarecem que as medidas constantes no «Plano de Acção para a Gestão Sustentável e Valorização do Sector Vitivinícola da Região Demarcada do Douro», apresentado pelo Governo nos meses de Junho e Julho e dado a conhecer à Confederação após reunião com o ministro da Agricultura, continuam a não passar de «meras intenções».
«A única coisa que os viticultores sabem é que o quantitativo do benefício será este ano menos 36 por cento do que em 2022, o que significa, em conjunto com a subida dos custos dos factores de produção e com os baixos preços pagos pelas uvas, mais uma machadada nos seus rendimentos. Até à data, impera a incerteza e a falta de acções concretas, enquanto a angústia dos produtores aumenta», asseguram.
Entretanto, segundo notícias recentes, só em 2025 já foram importados mais de 300 milhões de litros de vinho de Espanha. «Algo continua a estar muito errado em todo o sector, que está a ser vítima da liberalização do comércio do vinho que sucessivos governos aceitaram e implementaram», acusam a CNA e a AVADOURIENSE.




