1927 – Nasce Gisèle Halimi

Pioneira do feminismo em França, Gisèle Halimi nasceu em La Goulette, na Tunísia, onde cedo se rebela contra o peso da tradição e da religião que lhe impunham os pais, judeus. Adolescente, rejeita o casamento arranjado com um comerciante 20 anos mais velho, e contra a vontade da família consegue terminar o ensino médio e viajar para França, onde estuda Filosofia e Direito. Começa a trabalhar como advogada aos 22 anos, em Túnis, destacando-se na defesa de activistas do movimento pela independência da Tunísia, à época colónia francesa. Muda-se depois para Paris, onde em 1956 fica conhecida por defender Djamila Boupacha, activista da Frente de Libertação Nacional da Argélia, presa após uma tentativa de atentado, torturada e violada na prisão por agentes franceses. Humanista, combate a tortura e o colonialismo. Militante pelos direitos das mulheres, o direito ao aborto, à emancipação, à igualdade entre os sexos, à descriminalização da homossexualidade, Halimi é uma das signatárias, em 1971, do “manifesto das 343” mulheres que assumem já ter feito um aborto. No mesmo ano, com Simone de Beauvoir e o biologista Jean Rostand, cria a associação “Choisir la cause des femmes” (Escolher a causa das mulheres), que advoga o direito das mulheres disporem livremente dos seus corpos e à igualdade. Morreu em 2020, com 93 anos.