1807 – Censura ao teatro em França
A liberdade artística e o poder sempre conviveram mal. O teatro não é excepção. Mais tolerada do que consentida, a liberdade de expressão no teatro sofre um sério revés em França com as limitações impostas pelo regime napoleónico. Napoleão criou ou reformou instituições teatrais, como a Comédie-Française, e tentou padronizar a produção teatral, mantendo-a sob a sua influência, o que viria a moldar a paisagem teatral francesa. Para além de limitar o número de teatros e companhias teatrais existentes no país, o regime impôs um sistema de censura e controlo ideológico sobre as peças apresentadas. A actividade teatral, concentrada em Paris, leva ao desaparecimento de muitas das companhias existentes fora da capital; as peças passam a ser submetidas a censura prévia de forma a impedir ‘mensagens subversivas’ ou contrárias ao regime; e as companhias ficam sujeitas a regras de formação e funcionamento. Para poderem operar, os grupos de teatro necessitam não só de autorização do governo como de ter um repertório aprovado pelo executivo. Estas medidas, que tiveram repercussões na Europa, contribuíram para a profissionalização das companhias teatrais, mas acabaram por gerar forte contestação, sobretudo nos meios intelectual e artístico, por coartarem a liberdade de expressão.




