Moedas – facilitador de insegurança
A verdade é que a criminalidade geral baixou a nível nacional (4,6%), bem como na cidade de Lisboa (7,6%)
LUSA
Em tempo de afirmação de narrativas, vários são os protagonistas políticos que contribuem para um cenário onde não se discutem ideias baseadas em factos, optando antes por adulterar números ou recorrer a leituras abusivas para justificar discursos. Carlos Moedas, actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), é hoje um dos expoentes máximos desta forma de comunicação política, promovendo um discurso empolado da insegurança em Lisboa.
A verdade é que a criminalidade geral baixou a nível nacional (4,6%), bem como na cidade de Lisboa (7,6%) que viu ainda a criminalidade grave e violenta a diminuir (2,1%) mais do que o resto do distrito. Não satisfeito com os dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) e da PSP, Moedas afirma discordar dos números, o que diz muito sobre toda a falácia que sustenta o seu discurso, e insiste no aumento da criminalidade e do sentimento de insegurança.
Em Julho, Moedas veio anunciar que a CML e o Ministério da Administração Interna (MAI) traçaram um plano de segurança específico para a cidade. Numa clara acção de campanha autárquica, este anúncio não é mais do que propaganda política, uma mão cheia de nada. Mas voltando a factos, o efectivo da PSP está cada vez mais depauperado e isso tem reflexos em cada cidade, naturalmente. Mas não é por se repetir mil vezes, nem pelo tom de voz, que o efectivo vai crescer magicamente. Mais depressa será por via da valorização das carreiras.
Por outro lado, Moedas refere frequentemente a vontade de ter mais efectivos na Polícia Municipal (PM), mas sabe bem que estes são polícias da PSP em comissão de serviço, carecendo de ser autorizada pela instituição a sua transferência, o que, dado o problema já mencionado, dificilmente terá sucesso. Quando Moedas “deu ordem” à Policia Municipal (PM) para fazer detenções, qual xerife colocado em bicos de pés, para lá de ser um pedido inepto, já que qualquer cidadão pode proceder a uma detenção em casos de flagrante delito, devendo entregar o detido à autoridade competente, o que está subjacente é uma ideia de afirmação de autoridade e competências que não são suas (nem as do presidente da CML nem as da PM), vendendo a imagem de que está a fazer tudo o que pode para resolver um problema que, em boa verdade, não existe na dimensão propagandeada. Realce-se ainda o caso da EMEL, que Moedas parece querer converter em polícia. É caso para perguntarmos: quantas policias quer Moedas em Lisboa e qual é o número bastante? Só falta imitar Pizarro no Porto e defender GNR a cavalo.
A principal preocupação de Moedas não é a segurança das populações. Isso é claro quando se contradiz constantemente, dizendo que Lisboa tem um problema sério de criminalidade para no passo seguinte afirmar que é uma das cidades mais seguras do mundo, apelando à vinda de mais turistas. A sua preocupação não está nas zonas onde os munícipes de Lisboa habitam ou frequentam, mas sim nas áreas turísticas. Vale a pena questionar também porque motivo é o presidente de uma autarquia a querer definir a localização de esquadras, ao invés da própria Polícia.
O anúncio de Moedas, como se fosse uma novidade, acerca de guardas-nocturnos, navega entre o ridículo e o sofisma, desde logo porque nada impediu a CML de o promover ao longo dos quatro anos de mandato PSD/CDS. Por outro lado, é necessário que haja quem queira ser guarda nocturno e, por fim, quem deseje contratar um serviço desta natureza.
Moedas e Montenegro têm jogo combinado, em que um vai servindo de facilitador de uma narrativa mais ampla, que o outro procura construir para atingir objectivos que se enquadram entre a propaganda e o securitarismo. O Governo não lhe vai falhar afirma Moedas. Com certeza. O Governo e Moedas só falham a Lisboa e ao País.




