A juventude constrói a sua Festa
Foram mais de 250 os jovens comunistas e amigos da JCP que se juntaram na Quinta da Atalaia, entre os dias 14 e 17, para ajudar a erguer a maior iniciativa político-cultural do País.
temos de ser nós a pensar e a construir este momento
«Aqui vivemos uma construção colectiva em que mesmo que não conheças o pessoal rapidamente te tornas amigo de todos, estamos aqui com um objectivo em comum.» Tiago tem 18 anos e não é a primeira, nem a segunda vez que vem à Festa do Avante!. Não será um exagero dizer que, tal como ele, foram muitos os que cresceram em Verões como este, a limpar terreno, a montar a estrutura ou a coser os toldos.
Todos os anos, são várias as responsabilidades que a JCP assume na construção da Festa do Avante!. Desde uma parte considerável das coberturas e as ajudas na limpeza do terreno até à construção do seu próprio espaço, a Cidade da Juventude. Passam centenas de jovens pelos vastos terrenos da Atalaia, ansiosos por contribuir para os mais belos três dias do ano.
A Jornada Nacional, realizada na passada semana, é a mais alta expressão do contributo dos jovens comunistas e seus amigos para esta grande jornada colectiva, juntando sempre centenas de jovens em quatro dias de iniciativas políticas, convívio e muito trabalho militante.
Durante estes dias, passeando pelo espaço da Festa, foi possível conhecer e falar com alguns destes jovens. Junto ao lago, transformado em cineclube durante o primeiro fim-de-semana de Setembro, falámos com Leonor, estudante do ensino superior, que descreve a sua tarefa como «muito enriquecedora». No relacionamento com camaradas de todo o País, a jovem acredita conseguir «conhecer realidades sem lá estar», contactando com «diferentes formas de ser e de estar». Ao seu lado, está Miguel, que diz que já vinha à Festa «mesmo antes de ter nascido», sentindo que, para ele, a Quinta da Atalaia é como «uma continuação da vida».
Caminhando até ao Espaço Central, conhecemos “Manel” que, mesmo estando no seu «quarto ano a coser toldos», aprende «sempre algo de novo». Para “Manel” esta actividade é já uma parte integral dos seus Verões, como pudemos confirmar pela tatuagem residente no lado direito do seu peito com uma figura empoleirada numa estrutura a clamar por corda para completar a tarefa.
Espalhados por toda parte, os jovens comunistas partilham uma ideia comum tão bem articulada por Laura enquanto fazia uma pequena pausa da sua tarefa - «existe um sentimento que temos de ser nós a pensar e a construir este momento.»
A alegria da primeira vez
Moisés, estudante da FCSH, e Renata, estudante do ensino profissional no Porto, estarão pela primeira vez, este ano, na Festa. Esta jornada marcou os seus primeiros contributos para a sua construção.
«Vi a foice e o martelo na entrada, depois de três comboios e um autocarro», «senti logo que era o local do nosso Partido», afirma o jovem estudante eborense destacando o «sentimento de identificação». Aqui, somos «faz-tudo», no dia-a-dia, vemos «os camaradas a intervir e mobilizar onde estudam ou trabalham», «mas depois vêm para aqui fazer a terra dos sonhos acontecer».
«A primeira coisa que senti foi alívio», confessa Renata, descrevendo «um sentimento de calma», como o de quem «sai um pouco da realidade».
Antecipando aquilo que será a sua primeira experiência nos dias da Festa, a jovem estudante diz estar entusiasmada para «ver aquilo que ajudou a construir», certa que isso deixará o seu «coração quentinho».
Festa do Desporto
O espaço do desporto foi o palco de mais um tradicional torneio de futebol e churrasco organizados pelos jovens comunistas, juntando treze equipas compostas por camaradas de todo o País. O ambiente dentro e fora do campo – desde o convívio aos cânticos entoados pelas claques improvisadas – serviu como um belo exemplo daquilo que a prática desportiva e o desporto podem ser quando libertos das amarras que o Capital impõe.
TAREFA A TAREFA
Afonso e Estefânia, ambos estudantes do secundário, estão responsabilizados, respectivamente, pela coordenação da implantação da Cidade da Juventude e das coberturas da Festa.
«Desde que entrei foi uma explosão de aprendizagens», afirma Afonso quando refere que, mesmo ainda sem um ano de JCP, já muito pôde experimentar «daquilo que é a alegria de viver e lutar». Estefânia, que se considera «uma pessoa tímida», não tem dúvidas que esta tarefa a ajudou a «enfrentar esses medos», ao «sair da zona de conforto».
«Fazer isto com todo o amor» é decisivo para o jovem de Sesimbra, que crê que todos saíram desta semana «mais confiantes e certos do nosso ideal».
«Não é qualquer jovem que tem as oportunidades que se vivem aqui», aponta a jovem lisboeta antes de afirmar que algumas das suas melhores relações nasceram ali mesmo, na Atalaia, entre «momentos de trabalho intenso» e o «convívio no bar de apoio».
Diogo tem 22 anos e, durante o ano, é assador de leitões em Santo André. A sua militância comunista, no entanto, transformou-o em canalizador durante os meses de Verão.
«Garantir que não há desperdício de água durante a Festa» é uma das prioridades desta tarefa onde diz já ter «aprendido muito». «Sou uma pessoa ansiosa mas aqui sinto-me mais livre desse peso», assim se sente Diogo referindo que, «entre camaradas», tem «uma confiança diferente».
Neste espaço «de liberdade» e «livre de julgamentos», o jovem alentejano valoriza todo o processo de construção como uma «grande amostra do poder colectivo da nossa organização».
Sobre aqueles que visitam a Festa do Avante!, Diogo afirma que «a malta deve vir para aqui e sentir-se livre, que é como eu me sinto aqui», destacando ainda que estes meses lhe estão a dar «esperança que as coisas vão de facto mudar».
PALESTINA VENCERÁ
A primeira grande iniciativa desta jornada foi o momento de solidariedade com a Palestina realizado na noite de quinta-feira. O Palco 25 de Abril, que será o chão de magníficas actuações e do grande comício dentro de duas semanas, serviu, desta vez, para o visionamento do documentário «Empire Files: How Palestine became colonized», de Abby Martin e para o debate entre os jovens comunistas e seus amigos.
Antes do debate, intervieram Miguel Félix, do Secretariado da JCP, e Carlos Almeida, activista pelos direitos do povo palestiniano.
Na sua intervenção, o dirigente da JCP valorizou «a luta heróica de um povo que nunca desistiu de resistir» e abriu o debate sobre qual o papel que Portugal pode desempenhar na solidariedade com a Palestina. Carlos Almeida, de seguida, destacou que «o povo palestiniano resiste pela simples circunstância de existir e defender o seu território» e lembrou que a Festa do Avante! «sempre foi uma das maiores manifestações de solidariedade do povo português com o povo da Palestina».
NAS RUAS DO SEIXAL
O caminho que liga a entrada da Quinta da Atalaia às Festas Populares de Amora voltou a ser pintado de vermelho durante a noite de sexta-feira, graças a um desfile marcado pela alegria daqueles que o compuseram.
Os jovens, que continuam à procura de Abril no seu futuro, mostraram a força da sua vontade e deram às muitas pessoas que apareciam à janela, paravam para tirar fotografias ou interrompiam o seu trabalho para saudar a marcha, mais um motivo para estarem confiantes num futuro de paz e de direitos para quem cá vive e trabalha.
CONSTRUIR O 13.º CONGRESSO
Os plenários da Jornada Nacional da JCP realizaram-se, este ano, enquadrados na construção do 13.º Congresso da JCP, marcado para 15 e 16 de Novembro. Jovens trabalhadores e estudantes do ensino secundário, profissional e superior juntaram-se, na tarde de sábado, para trocar experiências e contribuir para o aprofundamento do conhecimento da realidade por parte da organização revolucionária da juventude.
A precariedade que assola os jovens trabalhadores com particular incidência, os desafios do trabalho em unidade no ensino superior, os horários desregulados no ensino profissional e os ataques à democracia na escola pública foram alguns dos muitos temas abordados ao longo das horas de discussão que marcaram estes quatro momentos.
O reforço da JCP e das suas linhas de intervenção junto da juventude prossegue firmemente na iminência da realização do seu próximo congresso.




