SÃO PRECISAS RESPOSTAS URGENTES
«Vivemos uma situação que a acção do Governo todos os dias agrava»
A situação que vivemos continua marcada pelas injustiças e desigualdades que a acção do Governo acentua e que põem em contraponto as dificuldades dos trabalhadores e do povo – desde os baixos salários e pensões à subida do custo de vida, ao crescente desmantelamento do SNS e desinvestimento na Escola Pública, às dificuldades no acesso à habitação, à falta de creche gratuita – aos lucros brutais que os grupos económicos continuam a acumular.
Problemas complexos que o País enfrenta, que também ficam expostos pela dimensão dos incêndios florestais, cujas causas estruturais, agravadas pelas condições climáticas extremas, são indissociáveis de décadas de política de direita, que sucessivos governos do PS e do PSD (com ou sem o CDS e agora com o apoio do CH e IL) têm vindo a prosseguir.
Fenómeno preocupante, que levou o Secretário-Geral do PCP a expressar, na passada terça-feira, em Ponte da Barca, a solidariedade do PCP às populações atingidas, aos bombeiros, forças de segurança, agentes da protecção civil, trabalhadores das autarquias, pequenos agricultores e produtores e todos quantos se têm empenhado no combate às chamas e, em particular, às vítimas e suas famílias.
Mas sublinhou também que são precisas respostas imediatas: combater o fogo, intervir rapidamente nas zonas percorridas pelos incêndios e apoiar as populações que foram atingidas.
E, acima de tudo, são precisas medidas estruturais de forte investimento na floresta (investisse o País na floresta portuguesa os milhares de milhões de euros que gastou para salvar a banca privada e não estaríamos agora nestas situações); o reforço das estruturas do Estado, desde logo do Ministério da Agricultura e do ICNF, bem como equipas permanentes de sapadores florestais. É preciso valorizar os bombeiros e adquirir para o País os meios necessários para o combate – incluindo no plano aéreo – em vez de ficarmos nas mãos dos negócios de milhões, que não nos resolvem os problemas.
Referiu ainda que, face à inacção do Governo, que só agora parece estar a acordar para a dimensão do problema, o PCP tomou a iniciativa de propor a realização de uma reunião extraordinária da Comissão Permanente da AR com a presença do primeiro-ministro.
Praticamente a duas semanas da Festa do Avante!, os seus construtores – os comunistas mas também muitos amigos da Festa – mostram determinação em erguer uma Festa que seja espaço de liberdade, democracia, cultura, a Festa dos valores de Abril.
Mas a azáfama nas múltiplas tarefas que envolvem a sua construção colectiva, implica uma particular atenção à sua divulgação e à venda da EP para que ela seja também uma grande realização de massas, a maior iniciativa político-cultural no nosso País.
Entretanto, prossegue um vastíssimo conjunto de iniciativas e acções relacionadas com a preparação das eleições autárquicas, desenvolvendo-se um esforço notável de comunistas, ecologistas e muitos outros democratas independentes, que se traduziu na apresentação de candidaturas a todos os órgãos municipais do Continente e Região Autónoma da Madeira e a 15 dos 19 municípios da Região Autónoma dos Açores, bem como a um total de mil quinhentas e setenta assembleias de Freguesia, por todo o País.
Esforço que vai agora ser projectado na afirmação da CDU, com o seu projecto distintivo de trabalho, honestidade e competência voltado para a criação das condições para que se possa viver melhor na nossa terra e, em torno desta consigna, promover uma grande mobilização, uma verdadeira frente unitária e popular, que não se disfarça em falsas alternativas, antes se afirma como amplo espaço de unidade e convergência ao serviço das populações .
Ao mesmo tempo que constrói a Festa do Avante! e avança na preparação das eleições autárquicas, o PCP procura dar resposta à exigente situação nacional e internacional em que intervém.
Em primeiro lugar, estimulando a luta dos trabalhadores em torno da acção reivindicativa, pelos salários e os direitos, e no combate ao pacote laboral, instrumento que o Governo e o grande capital querem ver aprovado para aprofundar a exploração. Em simultâneo, estimulando também a luta das populações em defesa das funções sociais do Estado em que o Governo desinveste ou que ataca, de forma despudorada, em particular, o SNS, em avançado estado de paralisação e desmantelamento e a Escola Pública cujos problemas se aprofundam em véspera de abertura do novo ano lectivo.
E também a acção de solidariedade com a Palestina (e pelo reconhecimento imediato do seu direito a um Estado livre e independente) e contra o genocídio que Israel prossegue em Gaza, a luta pela Paz no Médio Oriente, na Europa e no mundo.
É este o sentido da intervenção do PCP, pelas respostas aos problemas que os trabalhadores, o povo e o País enfrentam. Respostas tão mais urgentes, face a uma situação que a acção do Governo (com o apoio do CH e da IL e a cumplicidade do PS) agrava e que, como a vida mostra, só tem soluções estruturais no quadro de uma outra política, patriótica e de esquerda, que afirme Portugal como País soberano com direito ao seu desenvolvimento, ao progresso social e à paz, como a Constituição determina.




