Ligação ferroviária entre Porto e Vigo em risco

O Grupo Parlamentar do PCP endereçou, no dia 9, uma questão ao Governo, por intermédio do ministro das Infra-estruturas e Habitação, sobre uma nova ameaça de degradação das ligações transfronteiriças portuguesas, desta vez entre Porto e Vigo.

Em causa está o serviço Celta que realiza a ligação entre as duas cidades com dois comboios diários em cada sentido. Apesar da concorrência do transporte rodoviário privado, a operação serve cerca de 120 mil passageiros por ano.

O serviço é operado com automotoras UTD592 da Renfe, alugadas à CP numa parceria que se iniciou em 2013 – «material velho à data já “encostado” em Espanha». Pelo que o PCP dá conta, não existe ainda acordo, entre a CP e a Renfe, para a revisão destas locomotivas que estão perto de atingir o seu limite de quilómetros percorridos.

Em alternativa, segundo o jornal Faro de Vigo citado no documento, o mesmo serviço passará a ser realizado, a partir de 17 de Agosto, por uma automotora da Renfe (entre Vigo e Viana do Castelo) e outra da CP (entre o Porto e Viana do Castelo).

«Enquanto o serviço ferroviário continua a degradar-se, o Governo continua a substituir a resolução de problemas pela realização de energéticas conferências de imprensa», lê-se no documento. «Uma questão básica de ferrovia – sem comboios não há ferrovia – parece escapar ao Governo, que continua a não promover a necessária modernização do material circulante ferroviário nacional», acrescenta.

Procurando esclarecer esta questão, a bancada comunista questionou o executivo sobre o ponto de situação desta ligação ferroviária e sobre que medidas serão adoptadas para capacitar a CP para modernizar o seu material circulante e assegurar melhor oferta ferroviária nacional e internacional.

Serviço ferroviário internacional reduzido a mínimos
Recorde-se que as ligações internacionais nocturnas operadas pelos serviços Sud Expresso, Lusitânia Comboio Hotel estão interrompidas desde 2020 e não há qualquer perspectiva real sobre o seu retorno. a ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid. A ligação diurna Lisboa-Madrid que poderia ser iniciada com a conclusão do troço Évora-Caia não dispõe de material circulante para ser concretizada.

Assim, a concretizar-se a introdução de um transbordo em Viana do Castelo na ligação Porto-Vigo, a oferta internacional de Portugal ficará reduzida a dois comboios diários entre o Entroncamento e Badajoz.

 



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