Intolerável chantagem dos EUA sobre o Brasil

Lusa

A poucos dias da entrada em vigor das taxas alfandegárias de 50 por cento impostas pelos EUA a produtos brasileiros, o governo de Brasília continuava, no início desta semana, a explorar diversas vias diplomáticas para travar a medida. A data prevista da entrada em vigor das tarifas era 6 de Agosto, já depois do fecho desta edição.

Firme rejeição da Ingerência
Entretanto, decorreram no passado dia 1 de Agosto manifestações em diversas cidades do Brasil convocadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), a que aderiram a Frente Povo sem Medo e a Frente Brasil Popular, numa jornada em defesa da soberania e da democracia no Brasil, tão flagrantemente afrontadas pela ingerência dos EUA.

Fontes próximas do governo brasileiro confirmaram que decorriam intensos esforços de bastidores visando abrir caminho para um contacto entre os presidentes dos EUA e do Brasil.

Da parte brasileira, diplomatas e assessores presidenciais trabalhavam a contra-relógio para criar condições que permitissem um diálogo directo e construtivo, ao mesmo tempo que se mantinham activos os canais oficiais através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira, e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Lula da Silva afirmou em diversas ocasiões a sua vontade de uma saída negociada, mas deixou claro que qualquer conversação deverá realizar-se em condições de igualdade e com respeito pela soberania brasileira. «Não queremos pelejas, mas tão-pouco aceitamos imposições», reiterou o presidente brasileiro.

As tarifas aduaneiras impostas por Washington, se entrarem em vigor, excluem 700 produtos brasileiros, mas afectam fortemente exportações importantes como minerais, hidrocarbonetos e produtos industriais.

Em paralelo à questão das tarifas, as tensões entre os governos norte-americano e brasileiro aumentaram com a recente sanção imposta pelos EUA ao juiz Alexandre de Moraes, do Tribunal Supremo, que dirige o processo em que está envolvido o ex-presidente Jair Bolsonaro – aliado de Trump – pela sua participação numa tentativa de golpe de Estado em 2022.

 



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