Linha de alta velocidade refém de interesses privados

A assinatura do contrato de concessão da primeira parceria público-privada (PPP1) da linha de alta velocidade (LAV) vem confirmar o que o PCP tem denunciado insistentemente: «um projecto estratégico para o desenvolvimento do País está refém dos interesses do consórcio privado, com o Governo, a Infra-estruturas de Portugal (IP) e as autarquias a assistirem passivamente, quando não coniventes, a este sequestro do interesse público». Esta posição foi assumida, no dia 29, pela Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP.

De acordo com uma nota da Organização Regional, os últimos meses demonstraram «com clareza» a natureza deste processo. «Não se trata de um debate transparente e democrático sobre opções de desenvolvimento, mas sim de um jogo de pressões, chantagens e manobras por parte do consórcio LusoLav (actual AVAN-Norte)», que após vencer o concurso público, procurou «redefinir o projecto conforme os seus interesses, alterando traçados e localizações de estações à margem das populações e do necessário debate». «Quando um investimento desta dimensão é entregue a grupos económicos sem controlo democrático efectivo, o desenvolvimento do País deixa de ser prioridade», sublinha.

Para o PCP, a mobilidade e o desenvolvimento do País não podem «ser mercadoria nas mãos dos grupos económicos». «O futuro do território, em que se inscreve o necessário desenvolvimento ferroviário da região e do País, constrói-se com participação democrática, transparência e respeito pelas populações e não em negociações opacas, feitas à medida do lucros de alguns», lê-se na nota.

O Partido garante ainda que exigirá respostas e levará esta matéria à Assembleia da República, através de uma pergunta ao ministro das Infra-estruturas e Habitação.

 



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