- Nº 2696 (2025/07/31)

UE tira do prato para engordar indústria da guerra, acusa CNA

Nacional

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) está preocupada com os cortes nos apoios à produção anunciados pela União Europeia, alertando que milhares de explorações poderão vir a desaparecer em vários países europeus. Tudo isto, garante, para alimentar a indústria do armamento.

A CNA considera que as primeiras propostas conhecidas para o Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, para o período 2028-2034, confirmam «as piores expectativas no que diz respeito ao dinheiro que vai estar disponível para a agricultura e floresta, ou seja, para a produção de alimentos». De modo a manter os actuais níveis de apoio, deveriam ser considerados mais de 480 mil milhões de euros para o sector, e não os 300 mil milhões propostos: «É um corte brutal, perto de 38%, ao mesmo tempo que prevê multiplicar por cinco as verbas destinadas à indústria do armamento».

Caso este corte se concretize, a CNA prevê que possam ir à falência milhares de explorações agrícolas nos países do continente, o que conduzirá ao consequente aumento das importações e a uma «subida generalizada dos preços da alimentação». A confederação da pequena e média agricultura denuncia que a «pesada factura belicista da UE irá, inevitavelmente, ser paga pelos consumidores europeus».

A proposta da UE aponta também para a diluição dos apoios ao sector, ao mesmo tempo que mantém as «restritivas regras da PAC que os agricultores têm de cumprir para exercer a sua actividade». As obrigações mantêm-se, mas os apoios não. Para a CNA, «não é o fim da PAC, mas sim o fim dos apoios da PAC, já que todas as regras, nomeadamente as que permitem a desregulação e liberalização total dos mercados, vão continuar». A situação pode até ser mais grave, pois não está sequer garantida a manutenção das verbas dedicadas ao desenvolvimento rural.

A proposta da UE, acusa a CNA, não defende agricultores nem consumidores e compromete o desenvolvimento rural e a soberania alimentar do País. A ganhar, denuncia, sai apenas a indústria da guerra.

Viticultores do Douro não desistem
A CNA e a Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense (Avadouriense) insistem na adopção de medidas de carácter estrutural na Região Demarcada do Douro para fazer face aos cortes anunciados na produção de Vinho do Porto. Salientam que estes cortes representam, para os pequenos e médios produtores, «mais uma machadada nos seus rendimentos», levando muitos a situações desesperadas «para lá do suportável», lê-se num comunicado conjunto de dia 21.

Os cortes previstos, salientam as duas entidades, impõem a tomada de «medidas imediatas que compensem os produtores pela perda de rendimento nesta vindima, direcionando-as sobretudo para os pequenos e médios viticultores, de forma desburocratizada e com dotações suficientes». Rejeitam também o arranque da vinha, considerando-a «mais do mesmo», ou seja, uma forma de empurrar os pequenos e médios produtores para o abandono das explorações, com as consequências que isso tem também na desertificação da região.

A CNA e a Avadouriense acusam o Governo de estar ao serviço dos «grandes operadores da região» e denunciam uma situação em que os viticultores entregam as uvas «sem saberem quanto vão receber por elas». A política agrícola seguida desde há anos, acrescentam, continua a favorecer a concentração de terras e da produção nas mãos das «grandes casas comercializadoras e exportadoras», em prejuízo dos pequenos e médios produtores.