2006 – Doutrina da Pátria Azul

Concebida pelo Almirante Cem Gurdeniz, a “Doutrina da Pátria Azul” (Mavi Vatan, em turco) define a jurisdição marítima e a visão estratégica da Turquia para garantir os alegados direitos soberanos turcos sobre os mares circundantes, abrangendo o Mar Negro, o Mar Egeu e o Mediterrâneo Oriental, sendo este último uma potencial fonte de conflitos dada a sua abundância de recursos energéticos e as reivindicações marítimas de países vizinhos, caso da Grécia, Egipto e Israel. Com a Mavi Vatan, a Turquia modernizou e expandiu significativamente as suas forças navais, de tal forma que a Marinha se tornou um pilar central daquela estratégia. No centro das atenções estão os recursos do Mediterrâneo Oriental, em particular as reservas de hidrocarbonetos ainda inexploradas, a que a Turquia pretende aceder expandindo as suas fronteiras marítimas para incluir plataformas continentais e zonas económicas exclusivas. Segundo Cem Gurdeniz, «Pátria Azul não é um slogan», é o «imperativo geopolítico» da Turquia, pois se o país abrir mão desses espaços ficará «sem litoral e irrelevante», aprisionada na Anatólia, o que seria uma «sentença de morte geopolítica». Segundo a doutrina da Pátria Azul, o sucesso reside em ir mais fundo no mar, mais alto no ar e mais longe em terra.