EUA saem da Unesco

A directora-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) considerou que a decisão dos Estados Unidos da América (EUA) de retirar-se da agência especializada contraria os princípios do multilateralismo e lamentou a decisão.

Numa declaração em Paris, sede da Unesco, a responsável qualificou de «previsível» o passo dado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que tinha adoptado semelhante medida em 2017, justificando-a com uma alegada hostilidade do organismo multilateral em relação a Israel.

Por lamentável que seja, previa-se este anúncio e a Unesco preparou-se para a situação, disse Azoulay, numa alusão às reformas estruturais empreendidas e à diversificação de fontes de financiamento levadas a cabo. Graças a tais esforços, destacou, foi compensada a tendência para a diminuição da contribuição norte-americana, a qual hoje ronda apenas cerca de oito por cento do orçamento da agência. A Unesco está hoje melhor protegida, asseverou, agradecendo aos países que aumentaram as suas contribuições.

Washington justificou a sua nova saída, que será efectiva em finais deste ano, com uma diferença entre a sua visão de «América primeiro» e a defendida pela Unesco, e com a admissão da Palestina na Unesco. «Continuar a participar na Unesco não é do interesse nacional dos EUA», resumiu um porta-voz do governo norte-americano.

Na resposta à decisão dos EUA, a directora-geral da Unesco indicou exemplos concretos de recentes projectos e missões realizados a favor da paz, do desenvolvimento, da biodiversidade, da cultura e da inclusão. De igual modo, sublinhou que a vocação da Unesco é acolher todos os países do mundo e que os EUA são e continuarão a ser bem-vindos na agência, fundada em finais de 1945.

Aversão dos EUA às organizações internacionais que não dominam

Em 2017, durante o seu primeiro mandato presidencial, Trump também ordenou a retirada dos EUA da Unesco, medida que foi revertida pelo presidente Joseph Biden (2021-2025), que restabeleceu o estatuto de membro da agência.

Com a sua política de «América primeiro» e de aversão às organizações internacionais que não dominam, os EUA têm-se retirado de vários organismos internacionais, sendo a saída da Unesco o mais recente episódio.

Logo depois de assumir o cargo, em 20 de Janeiro passado, o presidente republicano assinou diversas «ordens executivas», entre as quais a da saída dos EUA do acordo climático de Paris e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Descartou também compromissos assumidos pelo seu antecessor na Casa Branca com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) e afastou-se do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Além disso, acabou com o financiamento à Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (Unrwa).

 



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