1644 – Publicação de Areopagítica
“ (…) os livros conservam, como num frasco, o mais puro extracto e eficácia do intelecto vivo que os gerou. (…) se não se usar de cautela, matar um bom livro é quase o mesmo que matar uma pessoa. (…) Deveríamos ter, por conseguinte, cuidado … com o modo como desperdiçamos essa experiência humana de vida preservada e armazenada nos livros, pois bem vemos que se pode cometer assim uma espécie de assassínio, por vezes um martírio, e, se o alargarmos a todas as obras impressas, um autêntico massacre – em que a execução não termina na chacina de uma vida elementar, mas atinge aquela quintessência etérea que é o sopro da própria razão, destruindo não apenas uma vida, mas uma imortalidade.” Os excertos são da obra “Areopagítica; Um discurso de John Milton pela liberdade de impressão não licenciada, para o Parlamento da Inglaterra”, uma das mais importantes e apaixonadas argumentações filosóficas a favor do direito à liberdade de expressão. Publicado no auge da Guerra Civil Inglesa, o título do poeta e polemista inglês John Milton, que remete para o Areópago de Atenas, foi distribuído em forma de panfleto, em desafio à censura prévia consagrada na Ordenação de Licença de 1643. Milton não convenceu então os deputados, mas nem por isso deixou de ter razão: “A verdade e o entendimento não são mercadorias que possam ser monopolizadas e transaccionadas por meio de etiquetas, decretos e normas”.




