PCF denuncia «roubo organizado» no orçamento do Estado de 2026

O Secretário Nacional do Partido Comunista Francês (PCF), Fabien Roussel, denunciou a proposta governamental de orçamento do Estado para 2026 como sendo «um roubo organizado». A proposta de orçamento, divulgada pelo primeiro-ministro François Bayrou, prevê o corte de mais de 43 mil milhões de euros nos serviços públicos e inclui a eliminação de dois feriados nacionais – a segunda-feira de Páscoa e o 8 de Maio, que assinala a vitória sobre o nazi-fascismo e o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945 –, com o objectivo de aumentar os dias de trabalho.

Sobre a supressão do feriado que assinala a capitulação da Alemanha nazi, o PCF denunciou a medida como uma «infâmia» e lançou de imediato uma petição a exigir «Não tocar no 8 de Maio!».

No mesmo sentido dos comunistas e de outras forças que se pronunciaram contra a proposta de orçamento do Estado, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais francesas, anunciou a convocação para Setembro de manifestações de protesto contra os planeados cortes orçamentais. A CGT acusou o governo de pretender que os franceses «trabalhem mais e ganhem menos», com um orçamento que aponta para o «empobrecimento generalizado do país».

O presidente Emmanuel Macron revelou previamente que a França duplicará a despesa militar em relação a 2017, aumentando em 2026 o orçamento em armamento em 3,5 mil milhões de euros adicionais e em 2027 em outros três mil milhões. O PCF questionou o chefe do Estado sobre de onde sairá o dinheiro para disparar a despesa militar e se pensa tirá-lo aos trabalhadores e aos reformados.

De facto, o projecto inclui o congelamento das despesas do Estado em investimento público no próximo ano, de maneira a que a França não gaste mais dinheiro do que em 2025, excepto na esfera militar e no pagamento da dívida. Prevê cortes das despesas com educação, saúde, benefícios sociais e pensões.

 



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