- Nº 2693 (2025/07/10)Perante os contínuos exemplos da recusa do patronato do sector da hotelaria e restauração em cumprir e negociar contratos colectivos de trabalho (CCT), os trabalhadores respondem com mais luta.
Nas empresas filiadas na Associação Hoteleira de Portugal (AHP), os trabalhadores têm dado exemplo de combatividade, ao realizarem acções de luta em frente dos seus estabelecimentos, em defesa do cumprimento dosCCTem vigor.
Assim foi, no dia 4, informou o Sindicato da Hotelaria do Sul, com uma concentração à frente do Hotel Vila Galé Estoril (detido por uma empresamembro do conselho geral da AHP). Nesta acção de denúncia e luta, dirigentes, delegados e trabalhadores exigiram, além do seu cumprimento, o início de uma negociação séria com vista à revisão do CCT.
Para hoje, está igualmente marcada uma acção de luta, às 8 horas, em frente do Hotel Mundial, Lisboa (detido pela Sotelmo, empresa membro da mesa da assembleia-geral da AHP).
Na segunda metade do mês, e conforme anunciou o Sindicato da Hotelaria do Norte, está também prevista uma quinzena de luta no sector, a decorrer de 16 a 31.
Aumentos recusados
Da mesma forma, a FESAHT denunciou, em comunicado da sua direcção nacional datado de 25 de Junho, a «lamentável e incompreensível» decisão da associação patronal AHRESP em rejeitar, pelo segundo ano consecutivo, a celebração, com a federação, de um acordo de actualização salarial.
A estrutura criticou, em concreto, o adiamento sucessivo, da parte patronal, das reuniões que tinha agendado com a FESAHT, no sentido de rever os CCT para a hotelaria e restauração.
A federação frisou que fica claro que o «único objectivo da AHRESP é fugir à negociação», faltando, assim, mais uma vez, à palavra de estar disponível para a revisão salarial de 2025.
A FESAHT sublinhou que esta recusa deixa milhares de trabalhadores sem aumentos salariais em 2025, muitos dos quais a auferirem o salário mínimo ou valores aproximados, mesmo aqueles com mais de 30 anos de serviço.
Esta situação, destacou, contrasta com os lucros verdadeiramente extraordinários alcançados no sector, que continua a propagandear falta de mão-de-obra e a exigir linhas e mecanismos de financiamento do Estado e da UE.
Amigos do patrão
A FESAHT denunciou, ainda, a postura demonstrada pela AHRESP, que tem levado a cabo uma «falsa campanha», anunciando uma suposta modernização na regulamentação do trabalho no sector.
Para a federação, esta «modernização» não é mais do que a continuidade de uma política de baixos salários e precarização, levada a cabo através da revisão dos acordos entre a AHRESP e as estruturas filiadas na UGT.
Em concreto, a FESAHT realçou que estes processos de revisão, em vez de resultarem em melhores condições de trabalho, abriram espaço à redução de direitos e à alteração da denominação de categorias profissionais, com o objectivo de promover uma maior polivalência a troco de salários de miséria.