42.º Festival de Teatro de Almada entre 4 e 18 de Julho
O 42.º Festival de Teatro de Almada, que se realiza de 4 a 18 de Julho em nove palcos de Almada e Lisboa, apresenta alguns dos criadores e companhias que mais sucesso obtiveram em edições anteriores. E homenageia a actriz portuguesa Lia Gama.
20 criações compõem a programação do Festival, mas a oferta é bem maior
A programação deste ano, conta o director Rodrigo Francisco no texto que assina no programa do Festival, significativamente intitulado «Ouvir o público», resulta em grande medida desta auscultação: «Pelas conversas que aconteceram na Esplanada com os artistas, pelo que nos foram dizendo aqui e ali, pelo que nos escreveram, sugeriram, elogiaram, insistiram, perguntaram, protestaram – os espectadores estiveram no centro da nossa atenção quando se tratou de escolher estes espectáculos.»
Thomas Ostermeier, que desde 1999 dirige a Schaubühne Berlin, é um dos encenadores presentes – e um velho conhecido do público do Festival, onde já esteve várias vezes: no final da década de 90, com Disco Pigs, e já este século com Susn, A gaivota e ödipus. Traz, este ano, História da violência, a partir do romance de Édouard Louis, que constituiu um êxito logo aquando da sua estreia, em 2018.
Também o francês Joël Pommerat tem uma longa relação com o público de Almada, iniciada em 2011, quando trouxe ao Festival Círculos/Ficções. Voltou várias vezes, com a revisitação de textos para a infância (Pinóquio e O capuchinho vermelho) e com criações singulares, nomeadamente A reunificação das duas Coreias. Este ano apresenta Marius, criado a partir de uma peça de Marcel Pagnol, que resulta do encontro com um homem condenado a uma longa pena e que acabou por se tornar num dos intérpretes do espectáculo.
Pela primeira vez em Almada estará o coreógrafo norte-americano (há décadas instalado na Alemanha) William Forsythe, referência obrigatória da dança contemporânea.
Nova criação da CTA e outros destaques
Outro dos destaques desta edição é a nova criação da Companhia de Teatro de Almada, uma encenação de Teresa Gafeira a partir de um texto de Peter Handke, Prémio Nobel da Literatura 2019. Um adeus mais-que-perfeito capta a essência do percurso da mãe do escritor, relatando – como se lê no Programa do Festival – a «espiral de dor que a levou ao suicídio, aos 51 anos». Ao mesmo tempo, Handke aborda o surgimento do nazismo, a II Guerra Mundial e o sofrimento que se seguiu.
Telhados de vidro, uma produção do Teatro da Trindade INATEL, reúne em palco Diogo Infante e Benedita Pereira, num texto de David Hare encenado por Marco Medeiros. A Colónia, de Marco Martins, dramatiza as colónias de férias para filhos de presos políticos realizadas nos verões de 1972 e 1973 nas Caldas da Rainha e no Baleal.
Ao todo são 20 as criações que constam do programa: teatro, dança, novo circo, marionetas e teatro de objectos. O programa completo pode ser consultado em festival.ctalmada.pt.
Programação variada
Durante os dias do Festival estará patente uma exposição sobre os Espectáculos de Honra, que desde 1987 são escolhidos pelo público para constarem na programação do ano seguinte. Haverá ainda debates e encontros entre o público e os artistas e 17 concertos de entrada livre na esplanada da Escola D. António da Costa. A personalidade homenageada este ano é a actriz Lia Gama e o dramaturgo espanhol Alberto Conejero López dirigirá a formação O sentido dos Mestres.




