1924 – Nasce Jacques Le Goff
«Não existe um documento objectivo, inócuo, primário. (…) O documento não é qualquer coisa que fica por conta do passado; é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que detinham o poder. Só a análise do documento enquanto monumento permite à memória colectiva recuperá-lo e ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno conhecimento de causa.» As palavras são de Jacques Le Goff, o historiador francês aluno e depois sucessor de Braudel na direcção da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais. Apaixonado pela “longa Idade Média ocidental”, de finais da Antiguidade até ao século das Luzes, Le Goff demonstrou quão errónea era a crença no pretenso obscurantismo medieval, o que em 2004 lhe valeu o prémio Dr. A. H. Heineken de História por “ter fundamentalmente alterado a percepção da Idade Média”. «Uma ideia fundamental da École des Annales é que a história se faz num vai-e-vem constante do presente para o passado e do passado para o presente», dizia Le Goff, para quem a memória era fundamental para construir o futuro. Considerado um dos maiores intelectuais franceses do século XX, impulsionou, nos anos 1970, o movimento da “Nova História”. Das suas 40 obras, destaca-se a biografia de São Luís e o livro “O Nascimento do Purgatório”, uma invenção medieval, segundo ele.




