“Construir a paz e a segurança colectiva”
O PCP promoveu nos dias 11 e 12, com outros partidos do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/ Esquerda Verde Nórdica – A Esquerda no Parlamento Europeu, uma conferência sobre os 80 anos da vitória sobre o nazi-fascismo e a luta pela paz hoje.
O imperialismo agrava a sua política de confrontação e guerra
O debate dividiu-se pelos dois dias, com quatro painéis ao todo: no dia 11, “No 80.º aniversário da Vitória: que a barbaridade do fascismo e da guerra nunca regresse” e “A importância da luta pelo desarmamento e a paz”; e, no dia 12, “Não à escalada armamentista – pela segurança colectiva na Europa”, e “Direitos, não canhões! Mais dinheiro para os direitos e o progresso social – não para armamentos e guerra!”.
Entre os oradores estiveram deputados e ex-deputados do Parlamento Europeu, representantes dos partidos promotores e de movimentos de defesa da paz de vários países, académicos e jornalistas. Aida Touma-Sliman, deputada israelita do Hadash (Frente Democrática para a Paz e Igualdade), participou no primeiro painel e o deputado britânico Jeremy Corbyn no quarto e último. De Portugal foram oradores o Major General da Força Aérea Jorge Aires, que interveio no terceiro painel, e João Pimenta Lopes, membro do Comité Central do PCP e antigo deputado no Parlamento Europeu, que falou no quarto painel de debate. As conclusões deste último foram apresentadas por João Oliveira, deputado do PCP no Parlamento Europeu.
Aprender com a História
O dirigente comunista começou por salientar que «80 anos depois da vitória sobre o nazi-fascismo, mostrámos nesta iniciativa que é preciso que os povos tenham nas suas mãos a bandeira da paz como uma reivindicação essencial e primeira da construção dessa sociedade nova pela qual lutamos e que é o futuro dos povos».
Salientando a necessidade de «não deixar esquecer as lições aprendidas com a Segunda Grande Guerra», adiantou algumas: 1. o fascismo foi uma «resposta do capitalismo à sua profunda crise no início do século XX, que foi a expressão mais violenta da dominação do capital e um instrumento repressivo contra o movimento operário»; 2. o caminho que levou à Segunda Guerra mostrou que o fascismo e a guerra andam de mãos dadas; 3. a União Soviética foi determinante na libertação da humanidade da barbárie nazi -fascista e dos seus monstruosos crimes; 4. os poderosos movimentos de resistência, nos quais os comunistas e outros democratas participaram de forma decisiva, deram um contributo decisivo para a vitória.
Os povos sofrem com a guerra
Estas lições, sublinhou ainda João Oliveira, «ganham particular actualidade nos dias de hoje, face à nova investida do imperialismo que agrava a sua política de confrontação e de guerra e que recorre novamente às forças fascistas para conter o descontentamento popular perante a agudização da crise estrutural do capitalismo». Assim, acrescentou, as políticas belicistas e o recurso à guerra «têm como primeira consequência a factura da destruição das condições de vida e da morte para os povos, mas têm também como consequência o desvio de recursos que, devendo estar apontados para a resposta aos problemas económicos e sociais dos povos, são antes desviados para a destruição das suas condições de vida». E, tendo em conta os riscos presentes, estão «mesmo apontados para o risco da destruição à escala da humanidade».
Denunciando o papel dos EUA, da NATO e da UE, o deputado comunista apontou o caminho da acção para «combater a corrida aos armamentos e a deriva armamentista, para contrariar o aumento dos gastos militares, para exigir a alocação dos recursos, não à guerra, às armas e à destruição, mas sim à resposta aos problemas económicos e sociais que atingem os povos, integrando a luta pela paz como parte indispensável da luta pelos direitos dos povos e pelo seu futuro».




