No Centenário de Luiz Pacheco (7 de Maio)

Luiz Pacheco nasceu a 7 de Maio de 1925, frequentou o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, acabando por desistir devido a dificuldades financeiras. Publicou dezenas de artigos em vários jornais e revistas, incluindo o antigo Diário Popular e a Seara Nova, fundou a Editora Contraponto em 1950, onde publicou obras de escritores como Raúl Leal, Mário Cesariny, Natália Correia, António Maria Lisboa, Herberto Hélder e Vergílio Ferreira. Dedicou-se também à crítica literária e cultural, ganhando fama como crítico irreverente que denunciava a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime fascista.

No quadro de um vasto e muito diversificado conjunto de iniciativas, promovidas pelas câmaras municipais de Setúbal e Palmela, e que perdurarão até ao fim do ano, designadamente com um Congresso sobre o Centenário, a 22 e 23 de Outubro, a Casa da Cultura, na capital sadina, organizou no dia 9 uma sessão especial de Leituras pela Companhia Artistas Unidos, fazendo-se ouvir os actores Lia Gama e Luís Lucas, com predilecção pelo conto “Comunidade”.

Neste percurso exponenciado pelos dois concelhos vizinhos, recorde-se o Avante! de 19 de Julho de 2007: inscrito no Partido em 1989, e tendo vivido em Lisboa, Setúbal, Palmela e Montijo (onde faleceu a 5 de Janeiro de 2008), foi em Setúbal que, mal chegado, pediu que lhe fizessem «o favor de mandar o meu cartão novo do nosso PCP» – exigência típica como aquela de informar por postal, a 18 de Maio de 1990, a Livraria Uni Verso, paredes meias com a Praça do Bocage, que estava «em trânsito para Loures, Congresso do glorioso P.C.P.», para o qual fora convidado.

Nestes saltos e mais saltos, há testemunhas: por exemplo, quando um responsável local do Partido o ia encontrar para acertar o que havia a acertar, embora já numa fase prolongada de debilidade, a primeira coisa que repetia fazia-o com determinação: «quero ter um funeral como o do Ary dos Santos: com a bandeira do Partido e com discurso”» Tal não faltou, na Basílica da Estrela.

Custasse o que custasse, até com lupa, estendido na cama, lia o Avante! de uma ponta a outra, e pugnava por ter as quotas sempre em dia.

Em Setúbal, é bem conhecido o trabalho de azulejaria da Ratton Cerâmicas pelo punho de Andreas Stocklein evocando, em espaços prolongados no Túnel do Quebedo, Vasco Mouzinho de Quevedo, Bocage, Sebastião da Gama, José Afonso e Luiz Pacheco. Não longe está, na Av. 5 de Outubro, o Edifício Arrábida, o Centro de Trabalho PCP, construído na base de uma ampla recolha solidária de fundos. O último citado não se inibiu de tornar público o seu contributo de 1000$00, mil escudos, chamando o seu a seu dono: «Há aqui um tijolo que é meu».

 



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