- Nº 2684 (2025/05/8)Numa nota de imprensa sobre o apagão de dia 28, a Fiequimetal alertou que, a seu tempo, deverão ser apuradas e divulgadas as causas do grave incidente que deixou o País sem energia eléctrica.
Para a direcção da Fiequimetal, à semelhança de outros incidentes ocorridos no passado, o mais recente apagão evidenciou «fragilidades» no Sistema Eléctrico Nacional, designadamente na «segurança da rede, na produção, na distribuição, gestão e controlo». Debilidades que se devem, evidentemente, aos processos de «privatização e liberalização» no sector energético. Segundo a federação sindical, esta situação exige ainda uma «profunda discussão sobre os níveis de interligação e dependência de Portugal face a Espanha».
«O País não pode estar refém de uma política economicista e de liberalização do mercado energético e, muito menos, sujeito a imposições políticas que, a pretexto de objectivos ambientais, conduziram ao encerramento de centrais termoeléctricas», como as de Sines e do Pego, afirma a Fiequimetal. Se estas estivessem em funcionamento, explica a federação, eventos como o de passado dia 28, poderiam ser minimizados.
Como recorda a estrutura representativa que abrange também o sector da indústria eléctrica, aquando do «erro político cometido pelo governo PS de desmantelamento de importantes infra-estruturas de produção», já a Direcção-Geral de Energia tinha alertado que, considerando o descomissionamento da central a carvão do Pego, o sistema não seria capaz de dar resposta às necessidades de consumo de electricidade em 2022.
Importar não serve
Nesse mesmo ano, após o encerramento da central do Pego, Portugal passou a importar energia, com um custo de 1695 milhões de euros. No momento do apagão, 30 por cento do consumo estava a ser suprido através de importações e houve já situações em que estas importações energéticas, provenientes de Espanha, foram superiores a 50 por cento.
«Quando dizem que é mais barato importar electricidade do que produzi-la em Portugal, querem dizer apenas que isso é melhor para os lucros das empresas», acusa a Fiequimetal, que há muito alerta para a necessidade de Portugal definir uma verdadeira política energética, em que o Estado possua um papel preponderante na gestão das empresas do sector.
A federação realçou ainda a responsabilidade e dedicação que os trabalhadores da REN e da EDP demonstraram na reposição do serviço.