Solidariedade em Lisboa com as crianças da Palestina

Segunda-feira, em Lisboa, realizou-se um acto de solidariedade com as crianças da Palestina assassinadas no genocídio que Israel leva a cabo. Paulo Raimundo teceu fortes críticas ao Estado português por alinhar na «hipocrisia» da União Europeia.

«Israel mata uma criança a cada 45 minutos»


No Rossio, foi exibida uma lista de 20 metros – ilustrada por fotografias – com os nomes de 2000 crianças palestinianas com menos de quatro anos de idade, entre as mais de 17 mil assassinadas por Israel, revelando a barbárie dos crimes.

Mariana Carvalho, da Associação «Os Pioneiros de Portugal», revelou que, na Faixa de Gaza, «Israel mata uma criança a cada 45 minutos», o que equivale a cerca de «30 por dia nos últimos 568 dias», totalizando 17 400 vítimas. Das 15 600 crianças identificadas, 825 eram bebés; 895 tinham um ano; 3266 entre dois e cinco anos; 4032 entre os seis e os dez anos; 3646 entre os 11 e os 14 anos; 2949 entre os 15 e os 17 anos; 8899 eram meninos e 6714 meninas. Muitas permanecem soterradas sob os escombros.

«Não esquecemos as crianças da Palestina, nem deixamos silenciar as suas palavras, a sua vontade, os seus apelos, os seus testemunhos», disse Mariana Carvalho, explicando que aquela iniciativa serviu para «lhes dar voz» e para que «todas elas tenham o direito a viver sem medo, a brincar, a ir à escola e a crescer ao lado das suas famílias».

TambémJulie Neves, do CPPC, e Carlos Almeida, do MPPM, reafirmaram a solidariedade destas organizações para com a luta do povo palestiniano.

Reconhecer o Estado da Palestina
O momento contou com a presença do Secretário-Geral do PCP, que criticou o Estado português por «alinhar na hipocrisia e no cinismo» da União Europeia, em vez de condenar a ocupação de Israel na Faixa de Gaza, onde um milhão de crianças estão «privadas de água, de comida, de medicamentos, de ajuda humanitária». «É um genocídio que está em curso», alertou Paulo Raimundo, considerando ser uma «obrigação» de Portugal «reconhecer o Estado da Palestina», juntando-se assim a «muitos outros estados que já o fizeram», medida que, «só por si não resolve tudo», mas seria «um sinal de grande importância do ponto de vista político». «Há sempre dois pesos e duas medidas. Parece que as crianças da Palestina são diferentes das do resto do mundo. Isto não pode continuar assim», acrescentou o dirigente, garantindo que da parte do PCP «não falharemos em nenhuma iniciativa, em nenhuma acção, que abra caminhos para resolver este problema».

 



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