Memória das Palavras, um livro de luta

Foi apresentado dia 30, em Lisboa, depois de recente sessão com idêntico objectivo no Porto, o livro Memória das Palavras, de Anabela Fino. A obra, com chancela das Edições Avante!, reúne textos publicados ao longo de mais de quatro décadas no Avante!, onde foi jornalista e exerceu tarefas de direcção.

Perante uma plateia que encheu o auditório da Casa da Imprensa, entre amigos, familiares e camaradas de Partido e de profissão, a apresentação, com moderação de Rui Mota, da editora, esteve a cargo de Filipe Diniz, que escreveu o prefácio, e da professora universitária e investigadora Carla Baptista.

Esta é uma antologia que oferece um «panorama político, social, ideológico» que permite «perceber como estamos e como chegámos aqui». As palavras são de Filipe Diniz que enalteceu a «qualidade da escrita» e o facto de a autora «escrever sobre factos, uma base concreta, não sobrepor a sua opinião a um facto».

Carla Baptista, por seu lado, encontrou um sentido de «valorização da profissão de jornalista» na obra, vendo-a como um «guarda memória das palavras», de «memórias difíceis», «textos escritos do outro lado da barricada», a dos explorados e oprimidos, aspirando por justiça e liberdade. Estes textos revelam o «poder da palavra», constituem-se num «livro de luta», de «jornalismo de combate».

Mas estas crónicas não são só um repositório de memória. Elas ajudam a compreender o presente, porque, como anotou Anabela Fino, «os problemas com que hoje estamos confrontados vêm lá de trás, de cedências, de compromissos ...» A autora deteve-se depois numa análise crítica ao papel dos média na nossa sociedade, não escondendo a sua preocupação – tendo em conta até a sua experiência sindical – por esse papel não estar a ser cumprido, como aliás se viu no “apagão”. Daí a necessidade de a «classe reflectir sobre si própria, sobre o tipo de serviço que presta, ser mais exigente», sublinhou.

Esta questão deu de resto o mote a um animado debate com vários intervenientes a trazerem a lume não apenas o papel do jornalismo como a realidade actual dos média e nomeadamente o processo de concentração em curso, entrave à liberdade de imprensa e ao direito dos cidadãos à informação.

 



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