Jovens em luta por vida melhor também vêm à rua dia 5
Na manifestação que assinalou o Dia Nacional da Juventude, a 28 de Março, a Interjovem/CGTP-IN garantiu que a luta vai prosseguir e apelou à participação de ainda mais jovens trabalhadores na jornada que a confederação promove este sábado, dia 5, em Lisboa, no Porto e em Coimbra, para dar força à exigência de «mais salário e melhores pensões», bem como à defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado.
No dia 18 de Maio, ao votar, «temos de vestir a farda de trabalho»
Tiago Oliveira, no final da manifestação nacional da juventude trabalhadora, reafirmou o apelo da CGTP-IN, salientando os objectivos de luta comuns: «Temos de exigir 150 euros de aumento para todos os trabalhadores e um salário mínimo nacional de mil euros agora, e não daqui a quatro ou cinco anos; exigir o combate à precariedade e que cada posto de trabalho permanente signifique um vínculo de trabalho efectivo; exigir as 35 horas semanais para todos os trabalhadores, sem perda de retribuição; exigir a melhoria de direitos, na perspectiva de uma vida melhor; exigir a revogação das normas gravosas, que continuam a colocar na mão dos patrões a chantagem sobre a contratação colectiva».
«Esta é a nossa luta e vai continuar já no dia 5 de Abril, no Porto, em Coimbra e em Lisboa, numa grande manifestação nacional, para a qual estamos todos convocados», sublinhou o Secretário-Geral da CGTP-IN, que antes abordara o actual contexto político no País. «No dia 18 de Maio, temos de vestir a farda de trabalho, não esquecer quem nós somos, olhar para o futuro com confiança e votar assumindo a nossa condição de classe», defendeu Tiago Oliveira.
Até ao dia das eleições legislativas, «não podemos nem devemos permitir que a discussão seja centrada em generalidades e que não se apresente, cara a cara, ao País, aos trabalhadores, aos jovens, aquilo que cada partido tem a dizer sobre as matérias que realmente interessam», alertou. Referiu, por exemplo, «sobre salários, sobre a desregulação constante dos horários de trabalho, sobre os mais de 70 por cento de vínculos precários nos contratos de 2024, sobre a caducidade da contratação colectiva, sobre a habitação e a especulação imobiliária, sobre a Saúde e a Escola pública, sobre a Segurança Social e o seu futuro».
Motivos fortes e justos
As intervenções, na concentração junto à escadaria do Palácio de São Bento, onde a cabeça da manifestação chegou pouco antes das 16h30, começaram com três jovens, que deram conta dos problemas e dos esforços para reforçar os sindicatos e mobilizar para a luta na McDonald's, na Zara (Grupo Inditex) e na Administração Local (Município de Sines).
Outros casos também ficaram expostos durante a manifestação, que saiu da Praça da Figueira pouco depois das 15 horas. Faixas e bandeiras identificavam vidreiros, professores, enfermeiros, trabalhadores de autarquias locais e da Função Pública, do comércio e serviços, da hotelaria e indústrias de alimentação, dos têxteis e calçado, dos transportes e comunicações, das indústrias transformadoras.
Nas palavras de ordem, fizeram-se ouvir algumas das fortes razões que levaram alguns milhares de jovens trabalhadores a fazerem greve e, de todo o País, virem manifestar-se desde a baixa de Lisboa até ao Parlamento: o custo de vida aumenta, a juventude não aguenta; é justo, urgente e necessário o aumento do salário; paz – sim, guerra – não; jovem sem contrato está a ser roubado; precariedade em Portugal é vergonha nacional; tanto jovem a trabalhar, sem casa para morar; com ou sem IMI, não há casa para mim; 35 horas para todos, sem demoras.
Gonçalo Paixão tomou a palavra para lembrar a «situação escandalosa» dos jovens trabalhadores, lembrando que «mais de metade de nós está preso num ciclo de contratos precários» e que um terço «ganha abaixo do salário mínimo nacional». Na intervenção do coordenador nacional da Interjovem, ecoou o grito de rejeição desta situação: «não aceitamos ser mais uma peça descartável , nesta máquina de exploração» e «não queremos esmolas e gorjetas numa caixinha ou numa aplicação, queremos o aumento geral dos salários».
Uns minutos antes das intervenções, quando do palco foi feita referência à jornada do MUD Juvenil, reprimida em 1947, e que está na origem do Dia Nacional da Juventude», os manifestantes reagiram repetindo «fascismo nunca mais».
Gonçalo Paixão voltou a lembrar a história, para dizer que esta «mostra-nos que foram sempre os jovens trabalhadores que estiveram na linha da frente das grandes transformações sociais», como a jornada de trabalho de oito horas, a conquista dos subsídios de Natal e de férias. Garantiu que será assim agora, «não vamos desistir até que o último contrato precário seja convertido em efectivo, não nos vamos calar face aos abusos, pressões e chantagens, não vamos aceitar um Portugal que nos obriga a escolher entre emigrar ou viver na pobreza».
O compromisso de «não baixar os braços» foi assumido por todos, na aprovação da Resolução desta jornada, que levou no título o lema da manifestação: «Luta! Pelo teu salário, pela tua carreira, por uma vida digna!».
Comunistas reafirmam empenho
Quando a manifestação acabava de descer a Calçada do Combro, os jovens foram saudados pelo Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo. Da delegação do Partido faziam ainda parte João Frazão, da Comissão Política do Comité Central, António Filipe, do CC e deputado, e Gonçalo Francisco e Laura Nunes, dirigentes da JCP.
Em breves declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo sintetizou em três pontos as «coisas fundamentais para a sua vida» que os jovens ali estavam a reivindicar: o fim do drama da precariedade, o aumento geral dos salários e o acesso à habitação.
A manifestação constitui «um sinal de que, qualquer que seja o governo, depois das eleições, estas exigências são para cumprir, para responder às necessidades da grande maioria dos jovens». O dirigente comunista frisou ser preciso que os jovens «fiquem no nosso País, vivam no nosso País, estudem e trabalhem no nosso País», porque «precisamos desta força, desta criatividade, deste empenho, deste conhecimento». Para que assim seja, «é preciso criar condições para responder àquelas três questões fundamentais».
«É nisso que nós estamos empenhados e, pelos vistos, estas centenas de jovens também», o que dá «grande esperança e confiança no futuro».
Manifestação nacional da CGTP-IN
Este sábado, dia 5, a CGTP-IN promove uma manifestação nacional, para que os trabalhadores, os reformados e outras camadas da população expressem o seu apoio às reivindicações de «mais salário e melhores pensões» e de defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado.
Às 10h00, no Porto (do Campo 24 de Agosto para a Avenida dos Aliados), às 10h30, em Coimbra (da Avenida Fernão de Magalhães para a Praça 8 de Maio) e às 15h00, em Lisboa (do Príncipe Real para o Cais do Sodré), deverão sair às ruas milhares de pessoas.
No manifesto que tem sido distribuído, a mobilizar para esta jornada, a Intersindical Nacional destaca que «é urgente mudar de rumo», pois «a solução dos problemas, a defesa dos direitos e a melhoria das condições de vida não podem ficar à espera». «A luta dos trabalhadores é fundamental para construir outra política, que tenha os valores de Abril e a Constituição como alavancas para o futuro», reafirma-se no documento.
Vidreiros em greve
«É tempo de as empresas responderem positivamente às nossas reivindicações», exigiram o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira e a FEVICCOM/CGTP-IN, numa saudação emitida no final da greve no Grupo Vidrala, na Marinha Grande. Os trabalhadores das empresas Santos Barosa (dias 25 e 26 de Março), Gallo Vidro (dias 26 e 27) e Vidrala Logistics (dias 27 e 28) fizeram greve com adesão praticamente total, parando as duas fábricas. Nas portarias, mantiveram-se, noite e dia, largas dezenas de trabalhadores, em piquete.
A federação e o sindicato solicitaram uma reunião urgente às três empresas da multinacional espanhola, para o início desta semana, admitindo novas greves, caso não se altere a posição patronal, perante as reivindicações de aumento dos salários e outras, para melhoria das condições de trabalho.
Também no sector do vidro de embalagem, foram marcadas greves, desde a madrugada de anteontem, dia 1, até ao fim da noite de hoje, dia 3, nas fábricas da BA Glass na Venda Nova (Amadora), em Avintes (Porto) e na Marinha Grande. «A empresa maior é a que paga pior», como destacaram, numa nota de imprensa, o sindicato e a federação.
Cabelte
Durante mais um período de greve parcial – forma de luta iniciada a 31 de Janeiro, por melhores salários e outras reivindicações que a administração recusa negociar –, dezenas de trabalhadores da Cabelte deslocaram-se até junto da Autoridade para as Condições do Trabalho, no Porto, exigindo que esta intervenha, perante comportamentos patronais discriminatórios e ilegais. O SITE Norte já prolongou o período de greves até 5 de Maio.
INCM
Perante uma proposta da administração de apenas 38 euros de aumento salarial, os trabalhadores da Imprensa Nacional Casa da Moeda fizeram greve a 31 de Março e anteontem, 1 de Abril. Na concentração de segunda-feira, de manhã – em que esteve presente o Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira –, a solidariedade do PCP foi manifestada por João Ferreira, da Comissão Política do Comité Central do Partido.
Schmitt
A adesão dos trabalhadores da Schmitt Elevadores às greves de três horas, a 25, 26 e 27 de Março, e à concentração neste último dia (com a participação do Secretário-Geral da CGTP-IN), mostrou unidade e vontade colectiva de prosseguir a luta, até obter uma resposta justa às reivindicações de aumentos salariais dignos e justos, redução do horário de trabalho e uma justa e efectiva negociação do Caderno Reivindicativo, como avançou a FIEQUIMETAL. No dia 28, em plenário,foi decidida nova série de greves, para 8, 9 e 10 de Abril.