«Rejeitamos empobrecer», protestou a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, afirmando que «a luta por melhores salários e reforço dos serviços públicos vai continuar».
Num comunicado de dia 5, o Governo é acusado de ter, «mais uma vez», simulado a negociação com os sindicatos. «Perante a Proposta Reivindicativa Comum para 2025, apresentada pela Frente Comum, que identifica e exige a resolução dos principais problemas com que os trabalhadores e serviços públicos estão confrontados», o Governo «prefere continuar o caminho de desresponsabilização da Administração Pública, abrindo a porta, cada vez mais, aos interesses privados nas mais variadas áreas de intervenção».
Para a Frente Comum, «as medidas aprovadas para 2025, acordadas com os mesmos de sempre, são muito insuficientes no que se refere à necessária valorização salarial, entre outras matérias pecuniárias». Isto significa «perpetuar o caminho do empobrecimento».
Nessas medidas não se vê «uma real vontade política de valorizar os trabalhadores e os serviços públicos». Como exemplo, a Frente Comum indica a decisão de, por cada trabalhador que saia dos quadros, haver somente uma entrada. Ora, «faltando trabalhadores nas mais variadas áreas da Administração Pública e não havendo o seu reforço, o resultado só pode ser a degradação dos serviços e da resposta que têm de dar à população», acusa-se no comunicado.
Também são criticadas «as medidas aprovadas e assinadas pela UGT para os próximos anos», porque nelas se preconiza «a revisão de algumas carreiras específicas, esquecendo todas as outras, sem apresentar uma única proposta concreta; recusa actualizar o subsídio de refeição, abono para falhas e outros suplementos; actualiza as ajudas de custo em 5 por cento, quando as mesmas não são actualizadas desde 2010, desconsiderando todo a aumento do custo de vida que se verificou desde lá».
Em sentido oposto, a Frente Comum defende «a valorização dos trabalhadores, do trabalho e dos serviços públicos» e reafirma que «é possível um rumo diferente». Como «prova disto», assinala-se que «as verbas entregues, directa ou indirectamente aos grandes grupos económicos, todas somadas, são quase o triplo do valor disponibilizado para actualizações e progressões dos trabalhadores da Administração Pública».
Aconteceu há poucos anos
«Como a história recente provou, a aprovação de um Orçamento do Estado não é o fim da possibilidade de aumentos salariais», assinala a Frente Comum.
Em 2023, embora criticando os valores e a ausência de efectiva negociação, a Frente Comum considerou que fora impulsionado pela luta dos trabalhadores o aumento salarial intercalar, anunciado pelo então primeiro-ministro, António Costa, depois da greve geral da Administração Pública, a 17 de Março, e da manifestação nacional que a CGTP-IN promoveu, no dia seguinte.
Também agora, «será a luta dos trabalhadores a determinar quando e quanto se aumentam os salários e valorizam os serviços públicos», conclui a Frente Comum.