1834 – Liga dos Proscritos
A Liga dos Proscritos, organização socialista utópica também conhecida como Liga dos Párias, foi criada por artesãos, trabalhadores e intelectuais alemães exilados em Paris e Londres devido às perseguições registadas a partir de 1815 contra os que lutavam pela liberdade e pela unidade da Alemanha, e para fugir à crise económica. Dirigida por Jacob Venedey, antigo docente da Universidade de Heidelberg, refugiado em França para escapar à perseguição da polícia, e pelo jurista e médico alemão Theodoro Schuster, a Liga publicava em Paris o jornal ‘O Proscrito’ e mantinha uma estreita relação com a Sociedade Francesa dos Direitos do Homem. O programa da organização preconizava a “Libertação da Alemanha e aplicação dos princípios contidos na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, bem como a “instauração de um regime democrático”, considerando que o mesmo só poderia ser atingido “mediante a instauração da igualdade social e política, da liberdade, da virtude cívica e da unidade do povo, primeiro nos países de língua alemã, depois no resto do mundo”. A cisão entre a ala direita (democrata-nacionalista) e a ala esquerda (revolucionária-internacionalista) da Liga, em 1836, vai dar origem à Liga dos Justos, dirigida por Schuster, que em 1846 se transforma na Liga dos Comunistas.