Mantém-se a luta contra o OE 2025 e a política para os mesmos de sempre
Ao fim da manhã de 29 de Novembro, dia da votação final global da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2025, milhares de trabalhadores manifestaram-se junto do Parlamento, respondendo ao apelo da CGTP-IN. A par da condenação do conteúdo do documento e de todos os que o viabilizaram, foi afirmada a determinação de prosseguir e intensificar a luta nas empresas e nas ruas, por respostas às reivindicações imediatas e pela alteração do rumo do País.
A hipocrisia ganha maior dimensão, quando alegam que não há dinheiro
A discussão na Assembleia da República visava aprovar «a continuidade das opções políticas, em favor dos interesses que já temos visto defendidos e aplicados no passado», acusou o Secretário-geral da CGTP-IN, ao intervir na parte final do protesto, convocado sob o lema «Aumentar salários e pensões, defender os serviços públicos e funções sociais do Estado – Pelo direito à saúde, educação, habitação».
Para a concentração junto da escadaria do Palácio de São Bento, foram organizados dois desfiles: um partiu da Praça Luís de Camões e o outro da Estrela. Os manifestantes, repartidos por distritos, transportaram faixas e cartazes com reivindicações comuns e gritaram palavras de ordem a condizer com as razões da mobilização, como «Não podemos aceitar: empobrecer a trabalhar» e «Para os patrões são milhões, para os salários só tostões».
Tiago Oliveira – que foi antecedido na tribuna por Rita Branco, da Interjovem e do Conselho Nacional da CGTP-IN – observou que, no mesmo mês em que se discute o OE, «assistimos à divulgação dos brutais lucros dos grandes grupos económicos e financeiros nos primeiros nove meses deste ano». Ora, «o que ali dentro está a ser colocado à discussão, por este Governo, não é como devemos distribuir melhor estes milhões e milhões de euros de lucros», mas sim «uma proposta de OE que procura garantir que estes lucros sejam ainda maiores, para o próximo ano, e que, sobretudo, fiquem sempre nas mãos dos mesmos».
Excluindo quaisquer «dúvidas», o Secretário-Geral da CGTP-IN afirmou que «este não é um Governo do povo e para o povo». «Um governo, comprometido com os interesses do País e dos trabalhadores, discutiria e aprovaria medidas que respondessem aos seus problemas e justos anseios», e «colocaria em cima da mesa, como prioridades, os salários, os direitos, as pensões, a melhoria das condições de vida, a defesa dos serviços públicos, a garantia de um futuro melhor». No entanto, «o que, hoje, o Governo e os que representam os interesses do capital estão a discutir, dentro daquelas paredes, é tudo menos isso», acusou.
Para a CGTP-IN, «a hipocrisia ganha particular dimensão, quando dizem que não há dinheiro para investimentos fundamentais e estruturais para o País, para a valorização dos trabalhadores e o seu reforço, mas avançam com uma redução para as empresas, no IRC, que, segundo a UTAO, corresponderá a mais de 400 milhões de euros».
A este propósito, Tiago Oliveira deixou um desafio: «Tentem-nos enganar, mais uma vez, ao afirmar que o País não aguenta. Expliquem lá, mais uma vez, como se tivéssemos cinco anos, que as empresas não aguentam. Expliquem lá que o mercado deve ser livre.» «Enfim, expliquem-nos o raio que vocês quiserem», concluiu, «mas o certo é que estes senhores, que propõem este OE, continuam sempre, mas sempre, a encher bolsos já bem cheios à custa de quem trabalha».
O dirigente sindical frisou que «não temos memória curta», «sabemos quem nos explora, sabemos quem é o PSD e o CDS». Logo a seguir, evocou o provérbio «tão ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta», para acusar «todos aqueles que, hoje, na votação deste OE, através do seu voto, permitirem, seja de que forma for, a aprovação do mesmo»: «também esses são culpados por tudo isto que está em curso».
Por outro lado, «também não esquecemos as campanhas demagógicas que estão a ser construídas por alguns». Tiago Oliveira assinalou que «o posicionamento do PS permitiu isso», quando admitiu aprovar o OE, «colocando em cima da mesa duas linhas vermelhas que nunca o foram». Dessa forma, o PS «abriu caminho para que alguns, como a IL e o CH, que sabemos muito bem ao que vêm, encetassem uma campanha tipo telenovela, com posicionamentos que nunca teriam caso o PS tivesse tido um posicionamento sério».
A CGTP-IN realça que «este também é o Orçamento da IL e do CH», pelas posições que «sempre, mas sempre» assumiram «no que toca a retirar direitos a quem trabalha, no que toca aos ataques aos serviços públicos, no que toca a salvaguardar os interesses dos mesmos que já muito têm».
Só com a luta
«Nós não baixamos os braços, em momento algum», afirmou Tiago Oliveira, assegurando que «os trabalhadores podem continuar a contar connosco, para encabeçar a luta por um futuro melhor». Recordou o mês de mobilização, reivindicação e luta, que a CGTP-IN promoveu entre 7 de Outubro e 8 de Novembro, «com milhares de trabalhadores contactados, centenas de plenários, um conjunto enorme de iniciativas», a culminar na «grandiosa manifestação nacional de 9 de Novembro».
Com «esta disponibilidade, esta consciencialização de que só com a luta é que conseguiremos avançar», «os trabalhadores têm conseguido conquistas importantes». «Mas temos de continuar a trilhar este caminho», apelou o Secretário-Geral da CGTP-IN.
É preciso e é possível
«É preciso mudar de rumo, é possível uma vida melhor», sublinha-se na Resolução aprovada e aclamada na parte final da concentração, quando os manifestantes responderam energicamente à sugestão de «dar uma assobiadela» contra a proposta de OE que ia ser colocada à votação no plenário parlamentar.
No documento reafirma-se que, para concretizar essa alteração de rumo, «é fundamental responder às reivindicações dos trabalhadores». Enumeradas em onze pontos, – começando pelo aumento generalizado dos salários (em, pelo menos, 15 por cento e num valor nunca inferior a 150 euros) e a valorização das carreiras e profissões –, estas reivindicações, «na situação que o País atravessa, assumem uma enorme importância» e devem ter «resposta imediata».
Reclama-se «uma política alternativa, que distribua a riqueza de forma justa, que respeite e valorize o trabalho e os trabalhadores, que defenda e invista nos serviços públicos e nas funções sociais do Estado» e fica expresso «o compromisso de continuar a luta, intensificar a acção reivindicativa nos locais de trabalho».
«Felizmente, há esta força!»
O Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo, acompanhado por Fernanda Mateus, João Ferreira, João Oliveira e Ricardo Costa (todos membros da Comissão Política do Comité Central), saudou os dirigentes sindicais e outros participantes no protesto, no início da concentração, junto do palco, instalado na base da escadaria.
Em breves declarações à comunicação social, o dirigente comunista observou que «estas pessoas estão aqui a exigir uma vida melhor, a que têm direito», com «melhores salários, melhores condições de trabalho, menos precariedade». «É isso que é preciso que um Orçamento ao serviço da maioria faça», mas «não é nada disso que está a acontecer», protestou Paulo Raimundo, porque «lá dentro» iria ser aprovado um OE que, «no fundamental, está escrito pela mão dos grupos económicos, para servir os interesses dos grupos económicos».
«Felizmente, há esta força cá fora, para continuar a pressionar nesse caminho, urgente e necessário, em particular, no aumento geral dos salários, que é a questão central», enfatizou o Secretário-Geral do Partido.