1977 – Mães e Avós da Praça de Maio

Mirta Baravalle, uma das 14 mulheres que em Abril de 1977 desafiaram a ditadura militar argentina exigindo na Praça de Maio, em Buenos Aires, informações sobre os seus filhos desaparecidos durante a repressão que varreu o país, morreu a 2 de Novembro, aos 99 anos. Quase meio século depois da criação do movimento que se tornou conhecido pela coragem das mulheres que iam à conhecida praça da capital argentina com lenços brancos na cabeça, e a que alguns chamaram as “loucas da Praça de Maio”, Mirta morreu sem ter encontrado o neto ou neta nascido num centro clandestino de detenção da ditadura militar. A sua filha, Ana María Baravalle, tinha 28 anos e estava grávida de cinco meses quando foi presa, em Agosto de 1976, com o marido, Julio César Galizzi. Nunca mais se soube deles nem da criança. Mirta dedicou a vida a procurá-los, sem sucesso. Com outras mães e avós criou também a Organização Não Governamental Avós da Praça de Maio, não se poupando a esforços para obter informações dos desaparecidos. Estima-se que entre 1976 e 1983 a ditadura militar argentina fez desaparecer cerca de 30 mil pessoas. Cerca de 300 netos nascidos durante a prisão das respectivas mães continuam desaparecidos. O Movimento despede-se de Mirta com uma garantia: «Continuaremos a procurar por ele, ela, e por todos.»