Sob o lema «Lisboa pelo direito à cidade» e na presença do Secretário-Geral do PCP, centenas de pessoas participaram, domingo, na Ribeira das Naus, num comício para afirmar a CDU como a «força de alternativa» ao ciclo de alternância entre PS e PSD na capital.
No comício, João Ferreira, dias antes anunciado como candidato da CDU à presidência da Câmara de Lisboa (CML), começou por fazer um diagnóstico dos últimos 23 anos de maiorias – do PSD com o CDS, do PS e outra vez do PSD-CDS – a gerir os destinos do município lisboeta.
«Anos marcados por transformações profundas no tecido urbano, inseparáveis dos principais problemas que Lisboa enfrenta e que sentimos no quotidiano», afirmou, referindo-se à «profunda modificação no tecido social», com a perda de 50 mil habitantes, à especulação imobiliária, ao «desinvestimento e desarticulação de diversos serviços municipais», ao estreitamento da «base económica de desenvolvimento da cidade», à degradação da «qualidade ambiental da cidade», à «desvalorização, quando não desprezo, pela participação popular» e à governação «sempre ao serviço de uma minoria, contra os interesses da esmagadora maioria da população».
Problemas que a actual gestão PSD-CDS agravou, «a tal ponto que se tornou ela própria um enorme problema», apontou o vereador na CML e membro da Comissão Política do PCP, que acusou o presidente Carlos Moedas de «incapacidade» em «assegurar a limpeza da cidade» e de «incompetência», por exemplo, quando meteu «na gaveta projectos para a construção de habitação acessível, que estavam prontos a avançar e que tinham sido feitos com a contribuição decisiva da CDU».
Criticas que se estenderam ao desprezo pelo movimento associativo de base popular, ao turismo desregulado, à degradação ambiental, entre outras situações que contaram, desde a primeira hora, com «a opção do PS de viabilização de todos os orçamentos apresentados e das opções ali contidas, sem impor condições», algo quenão aconteceu noutros municípios, alguns ali próximos.
Com ainda um ano de mandato pela frente, João Ferreira anunciou que a CDU vai «continuar a avançar com propostas de soluções para melhorar a vida na cidade», mas também «denunciar» e «combater» as «opções negativas da gestão PSD/CDS/Moedas». «A CDU é e será um espaço amplo de convergência de todos os que se revêem na urgência de uma mudança de governo da cidade. A força de oposição e de alternativa. De agregação de todos os que não desistem de lutar pelo direito à cidade», concluiu.
Incapacidade
Antes,Cláudia Madeira, do Conselho Nacional do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) e eleita na Assembleia Municipal (AM) de Lisboa, frisou que Carlos Moedas e «a sua equipa» não conseguiram «resolver nenhum dos grandes problemas» da cidade, que continua a «perder pessoas e a identidade». Entre os vários exemplos trazidos falou sobre «o aeroporto dentro da cidade» que «continua a ameaçar a saúde de milhares de pessoas». «O presidente da CML não se importa» que o aeroporto «cá continue mais uma década (ou mais), com mais voos, mais ruído, mais poluição e mais riscos, desde que haja uma compensação financeira, o que contraria os interesses da cidade e da população», criticou a ecologista.
Como recordou, há mais de 30 anos que «Os Verdes» defendem a saída do Aeroporto da Portela, não havendo «motivos para perder mais tempo», devendo este funcionar «apenas o tempo necessário até à entrada em funcionamento do novo aeroporto, sem aumento da capacidade», e com o fim aos voos nocturnos.
«Queremos um grande processo de discussão pública sobre o futuro dos terrenos do aeroporto, que entendemos que se devem manter na esfera pública e contribuir para a melhoria da qualidade de vida e do ambiente na cidade e na região de Lisboa», defendeu Cláudia Madeira. Nesse sentido, informou, «Os Verdes» marcaram um debate sobre este tema para o próximo dia 1 de Outubro na AM.
Chamados por Ana Sofia Paiva, ao palco foram também Fernando Correia, da Comissão Executiva da Associação Intervenção Democrática (ID), Natacha Amaro, eleita do PCP na AM de Lisboa e membro do Executivo do Organismo da Direcção do PCP na Cidade de Lisboa, Fábio Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Carnide e do Organismo de Direcção do PCP da Cidade de Lisboa, Inês Zuber, dos Organismos Executivos da Direcção da Organização Regional de Lisboa e do Comité Central do PCP, Joana Silva, da Comissão Executiva do PEV, Ricardo Costa, da Comissão Política do PCP.
Bandeiras de luta da CDU
Para o Secretário-Geral do PCP, João Ferreira é o candidato «mais preparado e o melhor presidente que a população de Lisboa poderia e pode ter», sendo o «primeiro nome de uma equipa que tem todas as condições para transformar Lisboa e colocá-la ao serviço de quem deve estar, dos que cá vivem, dos que cá trabalham, dos que têm direito à cidade».
Paulo Raimundo avançou, de seguida, com algumas das bandeiras de luta da CDU, como o aumento dos salários, a defesa das 35 horas do horário semanal de trabalho, o transporte público num caminho tendencial de gratuitidade, uma rede pública de creches que dê resposta a toda a população, entre outras medidas. Estes e muitos outros são «elementos distintivos que fazem da CDU uma força insubstituível», destacou.
Sobre os «problemas transversais a todo o País» e que em Lisboa «também se fazem sentir com particular intensidade», o dirigente comunista referiu o «grave problemas que atravessamos na habitação», tendo informado que o PCP apresentou, na passada semana, na Assembleia da República, «várias propostas concretas» que «passam pelo fim da Lei dos Despejos, pela regulamentação e consolidação da Carta Municipal de Habitação e pelo combate à especulação». «Se o problema é a especulação nas casas, a solução não pode ser a especulação nos terrenos, como o Governo vem propor com a liberalização dos solos», criticou Paulo Raimundo.