- Nº 2647 (2024/08/22)

Celebrar o centenário de Carlos Paredes, músico e comunista

PCP

No dia 13, o PCP apresentou, em Lisboa, o seu programa das comemorações do centenário do nascimento de Carlos Paredes, que decorrerão sob o lema «o Povo e uma Guitarra».

O programa arrancará na Festa, seguido, em 2025, de um seminário (Fevereiro) e um concerto (Abril), apelando-se a outras iniciativas pelas organizações do Partido

No Centro de Trabalho Vitória, a sala estava cheia, num claro exemplo da admiração e respeito por aquele que, 20 anos após a sua morte, continua a ser o nome maior da guitarra portuguesa e um dos mais destacados músicos do nosso País: o «homem dos mil dedos», Carlos Paredes.

Luísa Amaro, companheira do músico por duas décadas, realizou, após a visualização de um vídeo de apresentação do programa comemorativo, uma actuação, precedida de uma intervenção.

«Estou no meio de amigos», declarou, agradecendo o convite do PCP para celebrar uma figura que, afirmou, «faz-nos muita falta». Aqui, as histórias e curiosidades foram muitas, contadas por alguém que as viveu na primeira pessoa.

No fim das memórias, numa homenagem visivelmente sentida, Luísa Amaro encarnou o «mestre», tocando as canções «Mudar de vida», «Canto do rio» e «Verdes anos».

Luísa Amaro

O músico
«Comemorar o centenário de Carlos Paredes é, sobretudo, relembrar e valorizar a vida e obra de um homem que foi, e é, um símbolo ímpar da cultura portuguesa, e um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa», sublinhou Jorge Pires.

O dirigente comunista destacou que o músico é «portador de uma obra reconhecida no País e internacionalmente», e que, após o 25 de Abril, entrou no circuito internacional, tocando em alguns dos grandes palcos europeus, numa carreira finalmente reconhecida, em 1990, com a atribuição de uma bolsa cultural pela Secretaria de Estado da Cultura, e, em 1992, com a atribuição da Comenda da Ordem de Santiago de Espada.

O comunista
«Desde muito novo começou a participar na luta antifascista, percurso que o trouxe ao PCP em 1958, no qual se manteve até ao final da vida», referiu Jorge Pires, recordando que o músico foi obrigado a «enfrentar as prisões fascistas, no Aljube e em Caxias», e que, apesar de nunca ter desvalorizado a resistência, também «recusou sempre o estatuto de herói».

Essencialmente, sintetizou, relembrando palavras de Rúben de Carvalho, «Carlos Paredes foi um revolucionário não apenas na música. A militância no Partido foi testemunho da sua grande dimensão humana, do seu imenso talento artístico e da ardente vivência que marcou toda a sua existência», de que a sua presença constante na Festa do Avante! e em inúmeras iniciativas são apenas exemplos.

A cultura
Jorge Pires fez questão de sublinhar, ainda, que, «em sentido contrário ao importante trabalho desenvolvido por Carlos Paredes», ao longo dos anos, «sucessivos governos, em desrespeito pela Constituição da República Portuguesa, têm vindo a concretizar uma estratégia de abandono do Estado das suas funções culturais», a par de outras funções sociais.

O dirigente comunista frisou que é objectivo principal da política de direita «substituir qualquer perspectiva de democratização cultural» pela mercantilização e hegemonização culturais pelas classes dominantes.

Em sentido contrário, afirmou, urge, como o PCP defende, a preservação da identidade cultural e de alguns dos seus valores (face às ameaças de «standerização»), assegurar o acesso a bens e serviços culturais, a participação na vida cultural e o desenvolvimento de actividades endógenas, e garantir a criação de um Serviço Público de Cultura.

 

«O Povo e uma Guitarra»

Coube a Bárbara Carvalho, da Direcção do Sector Intelectual de Lisboa, apresentaros pormenores do programa, afirmando que comemorar cem anos de Carlos Paredes é «celebrar a sua música, a sua música como espaço de intervenção política, a sua forma de estar na vida e o seu pensamento estético».

Sob o lema «O Povo e uma Guitarra», o programa terá início, como já noticiamos no último número, na 48.ª edição da Festa do Avante!, com um concerto sinfónico em homenagem ao músico, a partir de composições para orquestra, bem como com uma actuação de Luísa Amaro (com outros guitarristas) e com um painel expositivo no Espaço Central.

Ainda em Fevereiro de 2025, afirmou Bárbara Carvalho, o PCP organizará um seminário com o objectivo de «aprofundar o conhecimento sobre o homem e sobre a música e o seu pensamento estético, ainda largamente por estudar», do qual resultará uma publicação. Por fim, em Abril de 2025, será realizado um concerto, com músicos de diferentes gerações.

A estas iniciativas, avançou, somar-se-ão «outros momentos, a desenvolver pelas organizações regionais do Partido».