1805 – Nasce Louis-Auguste Blanqui

Oriundo da classe média, Louis-Auguste Blanqui estudou direito e medicina nas melhores escolas de Paris, mas ao assistir à execução pública de quatro membros da Carbonari, sociedade revolucionária secreta, anticlerical, em 1822, revolta-se contra a sociedade que “mata homens bons para proteger privilegiados”. Dele dirá Marx que foi o “o cérebro e a inspiração do partido proletário em França”. Participa nas lutas estudantis, trabalha como jornalista, intervém na revolução de Junho que destituiu os Bourbons, vive os ‘três dias gloriosos’ de lutas nas barricadas. Mas não era ainda a revolução popular: a burguesia liberal toma conta do poder, troca um rei por outro, os problemas dos trabalhadores mantêm-se. O fracasso reforça a convicção de Blanqui da necessidade de medidas radicais: “Quem são aqueles que ameaçam a revolução de amanhã? Os que derrubaram e destruíram a revolução de ontem: a deplorável popularidade de burgueses disfarçados de tribunos.” Organizador e activista incansável da luta de classes em França, Blanqui sofre várias prisões, é condenado à morte duas vezes; no total, passa 37 anos na prisão, nas piores condições. É o “preso” que não desiste: “Eu sou acusado de dizer a 30 milhões de franceses, proletários como eu, que têm direito a viver. Quanto ao nosso papel, já está escrito; o papel de acusador é o único que cabe ao oprimido.”