Morreu o jornalista João Paulo Guerra
Aos 82 anos, morreu, domingo, 4, em Lisboa, João Paulo Guerra, «um dos mais destacados e prestigiados jornalistas da rádio e da comunicação escrita em Portugal, associado à cooperativa dos autores desde Outubro de 1968», recorda a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).
Iniciou a carreira na Rádio Renascença, passando pela Rádio Clube Português, Telefonia de Lisboa, TSF, Emissora Nacional e Antena 1. Na imprensa, foi chefe de redacção do Notícias da Amadora, redactor e chefe de redacção de O Diário, e editor no O Jogo e no Diário Económico. Colaborou, além disso, com, entre outros, o Diário de Lisboa, A Capital, o Público, O Jornal e o Diário Económico.
Trabalhou também na televisão, essencialmente para a SIC como guionista e repórter. No teatro, adaptou o romance «Claraboia», de José Saramago, que foi posto em cena pela companhia A Barraca, com interpretação de sua irmã, a actriz Maria do Céu Guerra. Era filho da jornalista Maria Carlota Álvares da Guerra.
«Foi autor de vários livros criados a partir da sua experiência jornalística, sendo conhecido pelo seu humor certeiro e pela forma sempre criativa e inovadora como via o acto de resistir à ditadura», acrescenta a SPA.
Ao longo da carreira jornalística conquistou uma dezena de prémios, nomeadamente da Casa da Imprensa, o Prémio Gazeta do Clube de Jornalistas, o Prémio Nacional de Reportagem do Clube de Jornalistas do Porto, o Prémio Reportagem de Rádio do Clube Português de Imprensa.
Em 2010 foi-lhe atribuído o Prémio Gazeta de Mérito e, em 2014, o Prémio Igrejas Caeiro da Sociedade Portuguesa de Autores, destinado a distinguir personalidades da rádio.
Numa nota assinada pela presidente do Conselho de Opinião (CO) da RTP, Deolinda Machado, recorda-se que João Paulo Guerra, «uma voz incontornável na defesa do Serviço Público e na Rádio em Portugal», foi Provedor do Ouvinte na Rádio Pública, entre 2017 e 2021.