Centenário de Varela Gomes
Personalidade de relevo na luta antifascista e na Revolução de Abril, o coronel João Paulo Varela Gomes faria cem anos no dia 24 de Maio. Quando da celebração do seu 90.º aniversário, com amigos, na Casa do Alentejo, em Lisboa, citou o poema «Roteiro», de Sidónio Muralha, assumindo que, «Se carácter custa caro/Pago o preço», mas «por imperativo ético».
No seu percurso de 93 anos, sobressai o empenho na candidatura de Humberto Delgado (1958), na «conspiração da Sé» (1959), numa candidatura à Assembleia Nacional (1961) e no «golpe de Beja», onde foi gravemente ferido, a 1 de Janeiro de 1962. No Tribunal Plenário, Varela Gomes desejou «que, quanto antes, outros triunfem onde nós fomos vencidos». Sofreu seis anos de prisão e a expulsão do Exército. Cumprida a pena e com a saúde debilitada, prosseguiu o combate, integrando a CDE.
Foi reintegrado após o 25 de Abril. Depois da Comissão de Extinção da PIDE, dirigiu a 5.ª Divisão do MFA, que para Varela Gomes foi «o mais revolucionário organismo militar surgido com o 25 de Abril». Destacou-se na resposta aos golpes de 28 de Setembro de 1974 e 11 de Março de 1975. Forçado ao exílio, após o 25 de Novembro, regressou a Portugal em 1979.
Em 1982, foi reintegrado no Exército, mas reformado, sofrendo uma injustiça que afectou muitos outros seus camaradas.