1417-1893 – Pedras da Fome

Tes­te­mu­nhas de secas ex­tremas na Eu­ropa, tra­du­zidas em maus anos agrí­colas, es­cassez de ali­mentos e fome, as pe­dras gra­vadas en­con­tradas nos rios Elba, Da­núbio, Reno, Weser e Mo­sela, entre ou­tros, são uma ad­ver­tência dos nossos an­ces­trais para o que pode su­ceder a qual­quer mo­mento. «Se me vires, co­meça a chorar», a frase mais co­nhe­cida es­cul­pida na pedra, em 1616, des­co­berta nas mar­gens do Elba, em Děčín, na Re­pú­blica Checa, é elu­ci­da­tiva. Es­tudos re­a­li­zados por ci­en­tistas checos, em 2013, dão conta do re­gisto de dez datas, de 1417 a 1893, as­si­na­lando a des­cida drás­tica das águas. A úl­tima vez que as «Pe­dras da Fome» foram vistas no Elba foi em 2018. Se­gundo Alain Sou­bigou, es­pe­ci­a­lista em his­tória con­tem­po­rânea da Eu­ropa cen­tral, pe­dras deste tipo «apa­recem em lo­cais afas­tados dos mares», o que sig­ni­fica que o de­sa­pa­re­ci­mento ou a baixa do nível das águas pro­voca uma pre­o­cu­pação mais pro­funda do que em países como, por exemplo, a França, que está à beira mar e do oceano. «A vida vol­tará a flo­rescer quando esta pedra de­sa­pa­recer» ou «Aquele que me viu uma vez, chorou. Quem me vir agora vai chorar», são frases es­cul­pidas nas pe­dras a exigir re­flexão. Es­tudos re­velam que a Eu­ropa está em seca desde 2018 e que a si­tu­ação da água é «muito pre­cária».