Conferência internacional sobre os 50 anos de Abril

Constituiu assinalável êxito a conferência internacional «50 anos do 25 de Abril. Democracia, Paz e Liberdade. Fascismo nunca mais», organizada pela União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), no dia 26 do mês findo, em Lisboa.

Os trabalhos, que decorreram no auditório da Escola Secundária de Camões, começaram com a saudação e o enquadramento da conferência, por José Pedro Soares, coordenador do Conselho Directivo da URAP, e terminaram com um momento cultural, a cargo do Coro Lopes-Graça, da Academia de Amadores de Música.

Ao longo da jornada de trabalho, além das comunicações dos oradores nacionais – historiadores, museólogos, investigadores, professores universitários, deputados, militares de Abril, escritores, jornalistas, trabalhadores, estudantes –, a Conferência contou com a participação de convidados estrangeiros. Destes, intervieram Ulrich Schneider, jurista, secretário-geral da Federação Internacional de Resistentes (FIR); Filippo Giuffrida, vice-presidente da FIR; Ana Prestes, socióloga e docente (Brasil); Andrea Cotone, editor (Itália); Sébastien Laborde, sociólogo e jornalista (França); Willy Meyer, da Associação Antifascista Marcos Ana (Espanha); e Marina Teitelboim, embaixadora do Chile em Portugal. Foi também lida uma mensagem de Pedro Pires, presidente da Fundação Amílcar Cabral e antigo chefe do Estado de Cabo Verde.

A conferência organizada pela URAP atingiu os seus principais objectivos, delineados na divulgação da iniciativa.

Valorizando o significado histórico da Revolução de Abril, aprofundou, meio século depois, o que representou para os portugueses, para os povos africanos colonizados e para o mundo o derrube da ditadura fascista – com o fim da guerra colonial, a libertação dos presos políticos, a conquista da liberdade e da democracia, o novo tempo de progresso e de participação popular, de muitos avanços e transformações.

Por outro lado, lembrou o resultado gravoso das políticas neoliberais da maioria dos governos nas últimas décadas, «que se traduziram em retrocessos, no agravamento das injustiças, na falta de resposta aos muitos problemas, no desrespeito e não cumprimento de direitos e conquistas emblemáticas da Revolução de Abril, inscritos na Constituição da República Portuguesa».

Deu especial atenção ao tempo presente e ao futuro, à reflexão sobre o crescimento de forças de extrema-direita, xenófobas, racistas e mesmo fascistas, no País e no mundo – o que são, o que pretendem, o que representam, qual a natureza dos seus projectos retrógrados, conservadores e de confronto com os avanços históricos alcançados em resultado das lutas dos povos pela liberdade, a justiça social e os direitos políticos, sociais, culturais e económicos, «por um mundo mais igual e mais justo».

Seu último propósito, a conferência, com mais de duas dezenas de intervenções, destacou a importância da unidade das forças democráticas, da actividade antifascista e do seu alargamento a amplas camadas da sociedade. Exortou ao combate à mentira, ao anticomunismo e ao branqueamento do fascismo, pronunciou-se contra o militarismo e a guerra, contra «o projecto imperialista de domínio económico e ideológico do mundo». E apelou «à luta constante pela paz e por uma nova ordem internacional assente nos princípios universais do respeito pelos povos, as suas culturas, as suas decisões».

A URAP anunciou que publicará as comunicações e intervenções da conferência internacional «50 anos do 25 de Abril. Democracia, Paz e Liberdade. Fascismo nunca mais».

 



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